Operação nacional desmantela quadrilha que aplicava golpes eletrônicos em todo o país
Polícia Civil do Rio Grande do Sul prende quatro suspeitos ligados a invasões de sistemas, fraudes bancárias e lavagem de dinheiro

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou, na manhã desta terça-feira (4), a Operação Medici Umbra IV – “CEO e Insider”, com o objetivo de desarticular o núcleo de comando de uma organização criminosa especializada em crimes cibernéticos, responsável por fraudes eletrônicas e lavagem de dinheiro em todo o país.
A ação é coordenada pela Delegacia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos (DRCPE/DERCC) e cumpre cinco mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão, além do bloqueio de contas bancárias e criptoativos. Até a última atualização, quatro suspeitos foram presos.
Os mandados são cumpridos em Barueri e Franca (SP) e no Distrito Federal. Segundo as investigações, o grupo possuía uma estrutura hierarquizada e atuava de forma semelhante a empresas, com funções definidas e operações de grande alcance.
Estrutura da quadrilha
A investigação revelou que o suposto líder, um homem de 39 anos, morador de Barueri (SP), era o “CEO” do esquema. Ele financiava e coordenava a operação, contratando hackers e especialistas em tecnologia para invadir sistemas e vender bancos de dados obtidos ilegalmente.
O “Insider”, de 31 anos, residente em Brasília (DF), trabalhava em uma empresa de tecnologia que prestava serviços a instituições financeiras. Ele utilizava seu acesso profissional legítimo para extrair informações sigilosas diretamente dos sistemas bancários, repassando-as ao grupo.
Outro integrante, conhecido como “Miura”, de 21 anos, morador de Franca (SP), era responsável por fornecer APIs de dados ilícitos e intermediar pagamentos em criptomoedas a programadores e fornecedores de informações.
O “Gerente”, de 18 anos, também de Barueri (SP), atuava como intermediário operacional, repassando ordens, cobrando metas e supervisionando ataques cibernéticos, incluindo tentativas de invasão ao sistema SISBAJUD, utilizado pelo Judiciário para bloqueios de valores.
Já o “Guardião”, de 28 anos, recrutava hackers e administrava repositórios de dados roubados. Ele também foi preso durante a ação.
Origem da investigação
A operação teve início após uma série de fraudes eletrônicas contra médicos no Rio Grande do Sul. Nas fases anteriores, a polícia prendeu mais de 15 pessoas entre executores e programadores, o que permitiu avançar na identificação dos líderes e financiadores do grupo.
A análise de materiais apreendidos em fases anteriores foi essencial para mapear a hierarquia interna e compreender o funcionamento da organização, que movimentava grandes valores por meio de esquemas de fraude digital e lavagem de dinheiro.














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