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O voto é o poder que o eleitor não pode terceirizar

há 5 horas
3 min de leitura

Editorial


Está chegando a hora de decidir. E, desta vez, a conta não pode ser terceirizada.

No dia 4 de outubro, o eleitor brasileiro irá às urnas para escolher presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual. São escolhas que terão consequências concretas sobre a vida da população e sobre os rumos do país e dos estados nos próximos anos.


No Acre, a eleição terá ainda um ingrediente especial: será também uma avaliação de um grupo político que está no comando do Estado desde 2019. E aqui cabe uma pergunta que deveria estar na cabeça de cada eleitor: o que efetivamente melhorou nesse período?

Não basta repetir a palavra “continuidade” em discurso eleitoral. Continuidade de quê? De quais resultados? De quais políticas? De quais problemas?


Nos últimos dias, o Acre voltou a aparecer no noticiário nacional por causa de operações da Polícia Federal. Em setembro, a Operação Death Note, realizada com apoio da CGU, investigou suspeitas de direcionamento de licitações, desvio de recursos públicos e movimentações financeiras suspeitas envolvendo verbas destinadas à educação, com prejuízo apontado pelas autoridades superior a R$ 30 milhões.


E, nesta semana, novas operações da Polícia Federal atingiram investigações relacionadas à construção da nova sede do IMAC e a fatos ligados a fases anteriores da Operação Ptolomeu. São investigações, e os envolvidos têm direito à defesa e à presunção de inocência. Mas também são fatos que merecem respostas claras da sociedade e dos governantes.


É justamente aí que entra a responsabilidade do eleitor.

Não se trata apenas de perguntar quem promete mais. É preciso perguntar quem apresenta resultados, quem explica os gastos públicos, quem consegue entregar serviços básicos e quem está disposto a prestar contas.


Segurança pública, saúde, educação, infraestrutura, emprego e qualidade de vida não podem ser reduzidos a slogans de campanha.


Se a população convive com medo, se famílias deixam o Estado em busca de oportunidades, se serviços públicos não funcionam como deveriam e se surgem sucessivas investigações envolvendo recursos públicos, o mínimo que se espera é uma discussão séria sobre responsabilidades, resultados e soluções.


O eleitor também precisa abandonar a velha política da migalha. Um benefício recebido hoje não pode valer mais do que quatro anos de administração pública. Uma promessa de campanha não pode substituir a análise do histórico de quem pede o voto.

E vale para todos.


Também é legítimo questionar candidatos que chegam de outros estados ou que possuem fortes vínculos políticos e familiares fora do Acre. Isso não significa que alguém de fora não possa disputar uma eleição. Significa apenas que o eleitor tem o direito de perguntar: por que o Acre? Quais são seus compromissos com o Estado? Quem financia sua campanha? Quais interesses políticos estão por trás dessa candidatura?


A grande mensagem deste editorial é simples: não terceirize seu voto.

O celular que está na sua mão pode ser muito mais do que uma ferramenta para acompanhar propaganda eleitoral. Pode ser uma ferramenta de fiscalização. Pesquise o candidato. Leia seu histórico. Confira processos e decisões judiciais. Consulte a atuação parlamentar. Verifique as propostas. Procure informações sobre patrimônio e financiamento de campanha. Compare o discurso com aquilo que foi efetivamente realizado.


Depois de votar, não adianta reclamar durante quatro anos se, no momento decisivo, o eleitor escolheu sem pesquisar.


A democracia não termina quando a urna é fechada. Na verdade, é ali que começa a responsabilidade de acompanhar, cobrar e fiscalizar.


O político não é dono do mandato. O mandato pertence ao eleitor.

No dia 4 de outubro, cada acreano terá a oportunidade de decidir quem merece receber essa responsabilidade. Não existe voto perfeito, mas existe voto consciente, informado e responsável.


Antes de apertar o botão verde, pare, pesquise e pense. O futuro que estará sendo escolhido não será apenas o do político será o seu também.


De Olho no Acre

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