Negociação histórica: EUA, Ucrânia e Rússia sentam à mesa para tentar pôr fim à guerra
Cúpula inédita em Abu Dhabi discute controle do Donbas; Kremlin volta a exigir anexação total da região

Estados Unidos, Ucrânia e Rússia iniciam nesta sexta-feira (23) a primeira reunião trilateral da guerra, com o objetivo de negociar o fim do conflito que já se aproxima de quatro anos. A cúpula acontece em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, e segue até sábado, sendo considerada um marco diplomático sem precedentes desde o início da invasão russa ao território ucraniano.
Segundo autoridades norte-americanas, os documentos do acordo estão “quase prontos”, restando como principal impasse a definição territorial, especialmente o controle da região de Donbas, no leste da Ucrânia. A área é estratégica e concentra alguns dos confrontos mais intensos desde 2022.
Esta é a primeira vez que os três países participam de uma mesa conjunta de negociações. Sob a liderança de Donald Trump, os Estados Unidos assumiram o papel central na mediação, sendo apontados como o único ator internacional com capacidade política para costurar um acordo entre Kiev e Moscou.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou a jornalistas que o foco da reunião será justamente a questão territorial do Donbas, considerada a última etapa pendente para o encerramento do conflito. “É uma discussão difícil, mas necessária para alcançar uma paz duradoura”, indicou o ucraniano.
Antes mesmo do início da cúpula, a Rússia endureceu o discurso. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, voltou a afirmar que qualquer acordo só será possível se a Ucrânia retirar completamente suas tropas do Donbas e reconhecer a anexação da região.
“É bem conhecido que a posição da Rússia é que a Ucrânia e as Forças Armadas ucranianas devem deixar Donbas. Esta é uma condição muito importante”, declarou Peskov. Ele também mencionou uma suposta “fórmula Anchorage”, em referência ao encontro entre Trump e Vladimir Putin no Alasca, em agosto, sinalizando uma proposta diplomática já discutida nos bastidores.
A reunião em Abu Dhabi ocorre em meio a forte expectativa internacional e pode definir os rumos finais do conflito mais grave da Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Caso avance, o encontro poderá abrir caminho para um cessar-fogo formal e para o início de um processo de reconstrução da Ucrânia — ainda que o tema territorial siga sendo o ponto mais sensível da negociação.














Comentários