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MORAES VIRA RÉU: No dia do julgamento de Bolsonaro, Moraes vira réu e é alvo de provas de "FRAUDE PROCESSUAL" no SENADO

3 de set. de 2025
3 min de leitura

Enquanto a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) iniciava o julgamento do núcleo central da acusação de tentativa de golpe de Estado contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, o ministro-relator Alexandre de Moraes teve sua imagem exposta como alvo de supostas irregularidades pelas quais vem sendo acusado por seu ex-assessor.


Reprodução
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Na mesma data em que Moraes conduzia a abertura do julgamento, Eduardo Tagliaferro, ex-chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foi ouvido pela Comissão de Segurança Pública do Senado. Ele acusou Moraes de ter promovido uma "fraude processual gravíssima" ao forjar relatórios para justificar operações judiciais contra empresários bolsonaristas, que acabariam sendo embasadas apenas em reportagens jornalísticas.


Tagliaferro diz que os relatórios que supostamente fundamentaram as buscas e apreensões foram criados dias depois das operações, com datas retroativas, para mascarar sua real natureza e dar suporte à decisão judicial

Além disso, apontou que Moraes teria até mesmo coordenado com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, a escolha dos alvos das investigações, por meio de "pacotinhos" de nomes enviados aos Tribunais Regionais Eleitorais — e só depois geravam relatórios para formalizar a ação

As acusações reverberaram com força no Senado. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) informou que encaminhará as denúncias ao presidente do STF, Luís Roberto Barroso, solicitando a suspensão do julgamento contra Bolsonaro — medida que, segundo analistas, tem baixa probabilidade de êxito.


Flávio Bolsonaro também revelou intenção de levar as evidências ao governo dos Estados Unidos, com o objetivo de denunciar o que considerou violações de direitos humanos por parte de Moraes.


Tagliaferro reafirmou suas denúncias publicamente no programa Café com a Gazeta nesta quarta-feira (3), dizendo que entregou provas não só ao Senado, mas também ao governo americano. Reafirmou que as decisões de Moraes têm origem em reportagens, e que o processo é inverso ao rito formal da Justiça — primeiro a decisão, depois a justificativa


O gabinete de Moraes rebateu, por meio de nota, que todos os procedimentos relacionados às investigações foram conduzidos dentro das normas regimentais, com regular documentação nos autos. Reafirmou que as requisições ao TSE e ações contra milícias digitais e desinformação seguiram os protocolos legais.


Contexto político e jurídico

  • Data coincidência: O depoimento de Tagliaferro aconteceu justamente quando se iniciava a fase final do julgamento do "núcleo 1" da trama golpista no STF, ampliando o impacto político das acusações

  • Repercussão nas comissões: Parlamentares aliados de Bolsonaro reagiram com veemência. A senadora Damares Alves chegou a afirmar que “esse magistrado tinha que ser preso hoje” e que o julgamento deveria ser interrompido imediatamente

  • Resposta internacional: A tentativa de levar o caso ao âmbito internacional, como feito ao governo dos EUA, poderia intensificar a pressão diplomática sobre Moraes e o STF, ainda que o processo interno permaneça oscilando entre esferas política e jurídica

  • Denúncias cruzadas: Tagliaferro, por sua vez, enfrenta acusações graves da PGR — entre elas violação de sigilo funcional, obstrução de investigação e tentativa de subversão da ordem democrática. Ele é alvo de pedido de extradição enquanto está na Itália


No primeiro dia do julgamento que poderia selar o destino político de Bolsonaro, Alexandre de Moraes se viu transformado em réu no senado, acusado por seu ex-assessor de manipular a estrutura processual para persecutórios. A dramaticidade do momento — com denúncias no Senado, retaliações do gabinete, movimentações internacionais e a interposição de defesas legais — sinaliza um capítulo turbulento na história recente do STF e da política brasileira.

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