Ministério da Saúde começa migração de dados do SUS para Nuvem Soberana
Estratégia começa pela RNDS, que reúne mais de 5 bilhões de registros, e prevê armazenamento e processamento dos dados em território brasileiro.

O Ministério da Saúde iniciou nesta terça-feira (11) a Jornada para a Nuvem Soberana do SUS, projeto desenvolvido em parceria com o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) para ampliar o controle público sobre a infraestrutura que armazena e processa dados, sistemas e serviços digitais da saúde. A primeira etapa envolve o Cadastro Nacional de Usuários do SUS (CadSUS) e a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), que reúne atualmente mais de 5 bilhões de registros.
Segundo o Ministério da Saúde, a proposta é que os dados do SUS sejam armazenados e processados em território nacional, submetidos à legislação brasileira. A medida busca ampliar a governança, a segurança e a continuidade dos serviços digitais utilizados pelo sistema público de saúde.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a iniciativa representa um avanço na proteção e no controle dos dados de saúde dos brasileiros. Segundo ele, a parceria com o Serpro permitirá que essas informações permaneçam sob jurisdição brasileira e sujeitas às regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Como será a transição
Nesta primeira fase, as equipes do Ministério da Saúde e do Serpro vão consolidar o modelo de trabalho, revisar a arquitetura tecnológica atual, atualizar o inventário dos ambientes e levantar os requisitos necessários para a estrutura que será implantada.
A mudança será feita de forma gradual. Antes de cada etapa, os ambientes serão analisados individualmente para definir se serão migrados, modernizados, substituídos ou eventualmente descontinuados.
A secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde, Ana Estela Haddad, destacou que o projeto será desenvolvido por fases, com validação dos resultados antes do avanço para novas etapas.
O que muda para o cidadão
Para a população, a mudança não deve representar uma alteração direta na forma de utilização dos serviços digitais do SUS. A expectativa do governo é ampliar a segurança, a estabilidade e a capacidade de integração dos sistemas de saúde.
O Serpro e o DataSUS ficarão responsáveis pela gestão da infraestrutura, com acesso aos dados armazenados de acordo com as regras de segurança e governança estabelecidas.
A nova estrutura deverá contar com recursos como criptografia, autenticação multifator, controle de acessos, monitoramento, auditoria, backup e recuperação de dados.
RNDS reúne bilhões de registros
A Rede Nacional de Dados em Saúde é uma das principais estruturas digitais do SUS. Ela permite que diferentes sistemas de saúde compartilhem informações de maneira padronizada, facilitando a integração entre os serviços e a continuidade do atendimento aos pacientes.
Atualmente, a RNDS reúne mais de 5 bilhões de registros de saúde.
O CadSUS, que também está entre as primeiras estruturas incluídas na jornada, possui 228,6 milhões de usuários ativos com CPF e outros 4,8 milhões sem CPF, segundo dados do Ministério da Saúde.
Projeto deve alcançar centenas de sistemas
A estratégia também deverá avançar posteriormente para os demais sistemas e soluções digitais sob responsabilidade do DataSUS.
Atualmente, o órgão estima possuir aproximadamente 459 sistemas e soluções digitais sob sua custódia, entre aplicações e outros componentes tecnológicos.
A migração será realizada de maneira progressiva, considerando as características e necessidades de cada ambiente.
O projeto tem como principais pilares continuidade, proteção, interoperabilidade e autonomia, com o objetivo de ampliar a capacidade do governo de administrar e desenvolver a infraestrutura digital utilizada pelo SUS.















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