Ministro da Justiça participa de cerimônia em Fortaleza durante confronto no Rio com mais de 60 mortos
Lewandowski viajou em avião da FAB para receber título de Cidadão Cearense no mesmo dia da operação policial mais letal da história do Rio de Janeiro

Enquanto forças de segurança enfrentavam criminosos e o número de mortos pela operação no Rio de Janeiro ultrapassava 60, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, cumpria agenda em Fortaleza (CE), onde recebeu o título de Cidadão Cearense na Assembleia Legislativa.
A homenagem, concedida em 2021, foi realizada na terça-feira (28), coincidindo com o dia da operação policial mais violenta já registrada no estado fluminense.
Lewandowski viajou na segunda-feira (27) em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB), acompanhado da esposa, natural do Ceará. No mesmo dia, participou da abertura da Conferência da Haia de Direito Internacional Privado, ao lado do governador Elmano de Freitas (PT).
Na terça, o ministro se reuniu novamente com o governador pela manhã e, à tarde, compareceu à solenidade entre 16h e 17h. O retorno a Brasília ocorreu apenas às 21h30, quando o confronto no Rio já havia ganhado repercussão internacional.
Durante o evento, o ministro não fez menção à crise no Rio de Janeiro nem à escalada da violência no próprio Ceará, estado que registrou em 2024 a maior taxa de homicídios do país, segundo dados do Ministério da Justiça. Em seu discurso, Lewandowski destacou a importância da proteção dos direitos e garantias individuais na luta contra o crime organizado.
“Nessa luta contra a criminalidade, sobretudo a organizada, se esquece da proteção dos direitos e garantias de todo cidadão”, afirmou o ministro.
Em entrevista anterior à cerimônia, ele classificou o dia como “de festa” e disse estar “muito feliz” com a homenagem.
A operação no Rio, deflagrada desde as 5h da manhã de terça, motivou críticas e trocas de declarações entre o governador Cláudio Castro e o governo federal. Castro afirmou ter tentado contato com Lewandowski por duas vezes, sem sucesso.
A assessoria do ministro, por sua vez, negou a informação e disse que “não é verdadeira a alegação de que o governador tentou falar com o ministro”.














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