Militares reforçam segurança em Cobija após denúncias de avanço de facções brasileiras
Operação começou na segunda-feira e concentra tropas em pontos estratégicos da fronteira entre Bolívia e Acre

As Forças Armadas da Bolívia iniciaram uma operação de segurança em Cobija, capital do departamento de Pando, na fronteira com o Acre. A ação ocorre em meio ao estado de exceção decretado no país e após autoridades bolivianas denunciarem uma suposta ampliação da atuação de organizações criminosas brasileiras na região.
As operações começaram às 5h da segunda-feira (21) e contam com o apoio da Polícia Boliviana. Entre os locais considerados estratégicos estão o Puente de la Amistad, que liga Cobija a Brasiléia, e o chamado quilômetro 19.
A movimentação das forças de segurança ocorre após declarações do ministro de Governo da Bolívia, Marco Antonio Oviedo. Segundo ele, integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) estariam ampliando sua presença em áreas de Pando.
Denúncias envolvem controle de estradas
De acordo com as autoridades bolivianas, grupos criminosos estariam tentando controlar rotas utilizadas para o transporte de mercadorias na região.
Oviedo afirmou que o PCC estaria tentando assumir o controle do município de Santa Rosa del Abuná. O ministro também declarou que o Comando Vermelho estaria atuando em um trecho da estrada entre Santa Rosa del Abuná e Montevideo, onde criminosos estariam armados e cobrando pagamentos pela passagem de mercadorias.
As acusações fazem parte das justificativas apresentadas pelo governo boliviano para reforçar a presença das forças de segurança em áreas próximas à fronteira com o Brasil.
Cobija recebe reforço militar
Com a operação, militares e policiais passaram a ocupar pontos de controle dentro e nos acessos de Cobija. A medida inclui áreas próximas à ligação entre a cidade boliviana e Brasiléia, no Acre.
O estado de exceção foi prorrogado por 90 dias e permite o emprego das Forças Armadas em apoio às ações de segurança pública.
O governo boliviano também afirma que organizações criminosas brasileiras estariam recrutando cidadãos locais. As autoridades dizem contar com cooperação de instituições estrangeiras para combater o avanço dessas organizações.
Fronteira com o Acre entra no foco das autoridades
A presença militar em Cobija chama atenção no Acre devido à proximidade entre as duas cidades. Cobija e Brasiléia são separadas pelo Rio Acre e possuem intenso movimento de pessoas e mercadorias.
As denúncias sobre o controle de estradas e a atuação de facções brasileiras são, até o momento, informações apresentadas principalmente por autoridades bolivianas. Fontes consultadas não apontam comprovação pública independente de todas as alegações feitas pelo ministro.
A operação mantém a segurança da fronteira como uma das principais preocupações das autoridades dos dois países, especialmente diante das denúncias relacionadas ao tráfico de drogas, circulação de armas e atuação de grupos criminosos na região.












Comentários