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MAJOR ROCHA: O MPE em Wonderland; a fantasia de Alice contra a tragédia do Acre

3 de out. de 2025
3 min de leitura

Atualizado: 4 de out. de 2025

Enquanto o órgão filosofa sobre categorias musicais, crianças estudam em choupanas e pacientes agonizam em hospitais sem insumos.


Há poucos dias, deparei-me com uma matéria jornalística informando que o nosso diligente e incansável Ministério Público Estadual, que parece ter como uma de suas principais bandeiras a defesa da laicidade do Estado, resolveu ingressar na Justiça pedindo o cancelamento da categoria “gospel” no Festival Estadual de Música (FEM), promovido pela Fundação de Cultura Elias Mansour. A Justiça negou o pedido do Parquet. Mas, como se fosse uma questão de vida ou morte, o MPE já sinalizou que vai recorrer.

Não quero discutir aqui o direito do MPE de escolher suas batalhas. O ponto é outro: em que planeta vive essa instituição? Estamos em um Estado onde dezenas de escolas funcionam em condições subumanas, algumas em choupanas, currais ou debaixo de árvores, conforme mostrou uma vergonhosa matéria do Fantástico, da Rede Globo. Um Estado onde a imprensa coleciona denúncias de corrupção na merenda escolar e, até hoje, não vimos um único corrupto ser condenado.

Um Estado em que pacientes agonizam nos corredores de hospitais sem insumos básicos, enquanto gestores dispensam recursos federais apenas para não se submeterem à fiscalização da União. Será que esses gestores não confiam no MPF, na CGU ou no TCU? Um Estado onde os índices de violência contra mulheres estão entre os mais altos do país, sem políticas sérias para enfrentar essa tragédia. Onde a corrupção é tão descarada que os próprios gestores já nem se preocupam em disfarçar as maracutaias.


E, diante desse cenário, o que preocupa o nosso Ministério Público? Uma categoria musical em um festival. É como se a casa estivesse em chamas, mas o bombeiro decidisse discutir a cor da mangueira.

Na boa, não seria mais útil fiscalizar o aluguel de jatinhos pagos com dinheiro público para atender às mordomias de poucos? Ou, quem sabe, criar uma “semana intensiva” de fiscalização da educação, da salubridade das escolas e da qualidade da merenda das nossas crianças? Que tal, em vez de vigiar palcos, vigiar cofres?


Seria pedir demais que o MPE dedicasse energia a combater a corrupção que drena os recursos destinados a atender milhares de famílias miseráveis? Afinal, no Acre, quase 140 mil famílias, cerca de 600 mil pessoas, só sobrevivem graças ao Bolsa Família. Mas parece que servidores públicos, muito bem pagos, alguns chegando a receber mais de 172 mil reais em um único mês (*), não compartilham das mesmas preocupações da maioria dos acreanos. Aí, para ocupar o tempo, preferem filosofar sobre laicidade, igualdade de gênero e outros temas que, embora relevantes, não mudam a realidade de um povo pobre e carente de autoridades verdadeiramente comprometidas com suas causas.


E aqui não se trata de falta de pauta, porque elas existem em abundância. O que sobra, na verdade, é falta de prioridade. Ou melhor: sobra prioridade invertida. O Ministério Público pode até ter legitimidade para escolher suas lutas, mas não me peçam para achar razoável que, diante de tantos problemas gritantes, sua energia seja consumida com uma categoria musical em um festival.


Sim, é redundante, mas vou repetir: nossas prioridades são outras, e bem mais urgentes. Nossas crianças, nossa saúde pública e, sobretudo, o zelo pelo dinheiro que é de todos. O resto, convenhamos, não passa de cortina de fumaça.


(Fonte: Portal da Transparência, agosto/2025)


 
 
 

1 comentário

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04 de out. de 2025

Reelegeram um palhaço p governador mergulhado em corrupção. Inclusive sendo investigado por isso. Já dá p se ter uma idéia do resto.

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