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MAJOR ROCHA: A Venezuelização do Brasil: o preço do populismo disfarçado de solidariedade

11 de out. de 2025
3 min de leitura

Enquanto o governo tenta comprar popularidade com auxílios e benesses, o país se aproxima do mesmo abismo econômico e moral que destruiu a Venezuela.


Estamos nos aproximando do período eleitoral, e o governo federal, em desespero por popularidade, recorre ao velho manual do populismo: distribuir dinheiro como se “generosidade” estatal fosse sinônimo de progresso. Surgem auxílios para estudantes da rede pública, subsídios para gás e energia elétrica, e a expansão do Bolsa Família, tudo embalado em discursos sobre “justiça social”.


Mas convém perguntar: é realmente o governo que dá esses benefícios?

A resposta é óbvia e incômoda: não. Governo algum produz riqueza; no máximo, a administra ou a desperdiça. Todo centavo usado em programas sociais, obras e benesses eleitoreiras vem da arrecadação de impostos pagos por quem trabalha, empreende e produz, em especial, da classe média assalariada, que sustenta o país nas costas enquanto é odiada pela esquerda.


O aumento indiscriminado de benefícios não é um ato de compaixão; é uma armadilha econômica e moral. A conta sempre chega e, é paga pelos mesmos de sempre: os que produzem. Isso sem contar a precariedade dos serviços públicos que sofrem com a escassez de recursos.


Um Estado cada vez mais inchado, repetindo o roteiro de fracasso que transformou a Venezuela em um laboratório de miséria.

Lembro-me de uma viagem à Venezuela, ainda antes da ruína total. Em um hotel em Ciudad Bolívar, conheci um venezuelano que havia morado no Brasil. Ele me contou que era empresário, mas que os programas de distribuição de renda haviam destruído o tecido social do país. Disse, com tristeza, que o povo havia perdido a “ambição”, aquele impulso humano de melhorar de vida, de conquistar mais, de evoluir.


Em troca de uma quantia modesta, suficiente apenas para sobreviver, os venezuelanos desistiram de trabalhar. O Estado havia substituído o esforço individual pela dependência. À época, o petróleo bancava o delírio socialista. Mas, quando o preço do barril despencou e o embargo americano entrou em cena, o castelo de cartas desabou. O país, dono das maiores reservas de petróleo do planeta, viu 90% de sua população depender de esmolas estatais e, sem o petróleo para sustentar o vício coletivo, veio o colapso.


No Brasil, o roteiro se repete, só mudam os atores. Aqui, sem petróleo para financiar o populismo, somos nós que pagamos a conta. Cada novo programa social amplia a dependência e reduz o número de contribuintes. A força de trabalho mingua, e uma parcela crescente da população parece satisfeita em viver de auxílios, anestesiada pela ilusão de que o Estado é uma fonte inesgotável de recursos.


O economista Arthur Betz Laffer, com sua célebre Curva de Laffer, demonstrou que há um ponto em que aumentar impostos deixa de aumentar a arrecadação. Ultrapassado esse limite, o Estado implode sob o próprio peso e, é, exatamente nessa direção que caminhamos. Só para deixar claro: temos uma das maiores, senão a maior, cargas tributárias do mundo.

A lógica é simples e cruel: o Estado não tem dinheiro próprio, tem o seu. E quanto mais o governo distribui, mais dependência cria; quanto mais dependência cria, mais precisa arrecadar; e quanto mais arrecada, mais destrói a base produtiva. É um círculo vicioso que leva à estagnação e, no fim, à miséria.


Em algum momento, o dinheiro acaba. E, quando isso acontecer, quando os recursos distribuídos não forem mais suficientes nem para as necessidades básicas, restará apenas uma pergunta: quem vai sustentar essa massa de desalentados?

Programas sociais são necessários, mas devem ser pontuais, emergenciais e orientados à emancipação, não ao vício da dependência. O que o Brasil faz, assim como fez a Venezuela, é transformar uma política de apoio em uma política de Estado, em um modo de vida.

O populismo disfarçado de solidariedade é o mais cruel dos enganos: compra votos hoje à custa da liberdade e da prosperidade de amanhã, e condena o nosso futuro.

E, quando o dinheiro acabar, porque ele sempre acaba, restará o silêncio dos que acreditaram que o governo poderia dar aquilo que ele jamais produz: riqueza verdadeira.

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