Lista suja cresce e inclui byd e amado batista por trabalho análogo à escravidão
Fiscalizações revelam condições degradantes, jornadas exaustivas e irregularidades com trabalhadores

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou nesta terça-feira (07) a atualização do Cadastro de Empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas à escravidão. A nova lista inclui 169 nomes e eleva o total para 613 empregadores, um aumento de 6,28% em relação ao levantamento anterior.
Entre os incluídos estão a montadora chinesa BYD e o cantor Amado Batista, ambos autuados após fiscalizações realizadas em 2024 e 2025.
No caso da BYD, as irregularidades foram identificadas durante inspeções realizadas em Camaçari, na Bahia, onde a empresa instalou sua primeira fábrica de automóveis no Brasil. A operação, conduzida pela Superintendência Regional do Trabalho, apontou que 471 trabalhadores chineses foram trazidos de forma irregular ao país, sendo 163 resgatados em condições análogas à escravidão.
Segundo os auditores-fiscais, os trabalhadores estavam submetidos a condições degradantes, incluindo alojamentos precários, falta de estrutura básica e alimentação inadequada. Também foram constatadas jornadas exaustivas, com carga mínima de 10 horas diárias e ausência de descanso regular, além de restrições à liberdade de locomoção.
A investigação apontou ainda que, apesar da existência de contratos com empresas terceirizadas, os trabalhadores mantinham vínculo direto com a montadora, caracterizando relação de emprego conforme a legislação trabalhista. Também foram identificados indícios de fraude migratória para viabilizar a entrada dos estrangeiros no país.
Diante das irregularidades, a empresa firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho (MPT), no valor de R$ 40 milhões.
Já o cantor Amado Batista teve o nome incluído na lista após fiscalização em propriedades rurais. De acordo com o MTE, 10 trabalhadores foram encontrados em condições análogas à escravidão, enfrentando jornadas exaustivas e alojamentos inadequados.
Em nota, a assessoria do artista informou que, após a fiscalização, também foi firmado um TAC com o MPT e que todas as obrigações trabalhistas foram devidamente quitadas.
A chamada “lista suja” do trabalho escravo é atualizada semestralmente e tem como objetivo dar transparência às ações de combate a esse tipo de prática, considerada crime no Brasil.














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