IR ZERADO: quem ganha até R$ 5 mil já recebe salário sem desconto neste mês
Nova tabela do Imposto de Renda entra em vigor, beneficia 16 milhões de trabalhadores e coloca mais dinheiro no bolso das famílias.

Os trabalhadores que ganham até R$ 5 mil por mês já começam a sentir no bolso os efeitos da nova tabela do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF). A partir dos salários pagos neste mês, quem está nessa faixa de renda passa a ficar totalmente isento do imposto, enquanto quem recebe até R$ 7.350 terá redução gradual no valor descontado na fonte.
As mudanças começaram a valer para rendimentos de janeiro, com reflexo direto nos contracheques pagos a partir de fevereiro. Segundo o Ministério da Fazenda, cerca de 16 milhões de brasileiros serão beneficiados pela medida, considerada uma das maiores alterações recentes na política tributária voltada à renda do trabalho.
Entre os beneficiados está o pedreiro Genival Gil, de 49 anos, morador do Paranoá, no Distrito Federal. Com salário pouco acima de R$ 2,7 mil, ele aguarda o contracheque para confirmar o valor que antes era descontado. “Vai ajudar a pagar umas contas a mais da casa”, afirma.
A isenção vale para trabalhadores com carteira assinada, servidores públicos, além de aposentados e pensionistas do INSS ou de regimes próprios, desde que a renda mensal não ultrapasse R$ 5 mil. A regra também se aplica ao pagamento do 13º salário.
Para quem ganha entre R$ 5.001 e R$ 7.350, o desconto do imposto continua existindo, mas de forma reduzida. Já os rendimentos acima desse valor seguem a tabela progressiva atual, com alíquotas que chegam a 27,5%.
Apesar do impacto direto no orçamento, muitos trabalhadores ainda desconhecem a mudança. A atendente de farmácia Renata Corrêa, que ganha R$ 1.620, se surpreendeu ao saber que não terá mais desconto de IR. “Vou guardar esse dinheiro para emergências”, disse. Ela prometeu avisar os colegas para ficarem atentos ao contracheque.
Especialistas explicam que, para quem tem carteira assinada, a aplicação da nova regra é automática. “Os sistemas de folha de pagamento já fazem os cálculos considerando a isenção e os redutores”, explica o conselheiro do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), Adriano Marrocos.
A renúncia fiscal estimada com a medida é de R$ 25,4 bilhões. Para compensar, o governo criou o Imposto de Renda da Pessoa Física Mínimo, que atinge contribuintes de alta renda. A nova cobrança vale para quem recebe acima de R$ 50 mil por mês ou mais de R$ 1,2 milhão por ano, com alíquotas que chegam a 10%.
Segundo o governo, apenas cerca de 141 mil contribuintes serão afetados por essa tributação adicional. “A lógica é simples: quem ganha mais, paga mais; quem ganha menos, paga menos”, resume o gerente de loja Pedro Henrique Mendonça, de 23 anos.
O Ministério da Fazenda esclarece que a correção da tabela só será sentida na declaração anual do Imposto de Renda em 2027, referente aos rendimentos de 2026. Para a declaração que será entregue este ano, nada muda.
Enquanto isso, milhões de brasileiros já comemoram o alívio no contracheque — e a chance de organizar melhor o orçamento mensal.














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