INVESTIGAÇÃO: Moradores são flagrados retirando roupas camufladas de criminosos mortos no Rio para tentar culpar a polícia na penha
Moradores do Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, estão sendo investigados pela Polícia Civil após retirarem roupas camufladas e equipamentos de criminosos mortos durante a megaoperação realizada na quarta-feira (28). A suspeita é de que tenham tentado forjar cenas de abuso policial e atribuir à força policial a morte de civis que, segundo as autoridades, eram integrantes armados do Comando Vermelho.

Corpos foram levados para a Praça São Lucas
A maioria dos confrontos ocorreu em uma região de mata conhecida como Vacaria, na Serra da Misericórdia. Durante a madrugada, pessoas ainda não identificadas retiraram os corpos e as roupas camufladas do local e os levaram até a Praça São Lucas, onde os cadáveres foram enfileirados para suposto reconhecimento por familiares.

O procedimento padrão, porém, determina que o recolhimento seja feito pelo Instituto Médico Legal (IML) e que a identificação aconteça oficialmente no necrotério.
A cena chamou atenção pela forma como os cadáveres foram exibidos em espaço público, gerando repercussão nacional e internacional.
Polícia afirma ter imagens que mostram remoção de roupas táticas
Segundo o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, vídeos analisados mostram que vários dos mortos estavam, inicialmente, vestindo roupas camufladas, coturnos e coletes balísticos — equipamentos típicos do confronto armado.

"Temos imagens que mostram indivíduos sendo retirados da mata com coletes e roupas camufladas. Depois, vários aparecem apenas de cueca ou bermuda. Isso não ocorreu durante a operação,” afirmou Curi.“Eu não me surpreenderia se lesões simuladas forem incluídas para tentar incriminar os policiais.”
A polícia suspeita de tentativa de manipulação de provas para sustentar acusações de execução.
A 22ª DP (Penha) instaurou inquérito para identificar responsáveis pela exposição e alteração dos corpos.
Saldo da operação: 119 mortos, 113 presos e grande arsenal apreendido
A megaoperação, batizada de Operação Contenção, foi planejada durante um ano e direcionada a cumprir mandados contra lideranças do Comando Vermelho do Rio e do Pará.
Balanço oficial:
119 mortos, sendo 115 classificados pela polícia como “narcoterroristas”
4 policiais mortos
113 presos, entre eles 33 de outros estados
10 menores apreendidos
91 fuzis, 26 pistolas, 1 revólver
Toneladas de drogas apreendidas (contagem em andamento)
Segundo o coronel Marcelo Menezes Nogueira, muitos corpos levados para a praça não haviam sido contabilizados originalmente no balanço da operação.
“Observamos claramente pessoas retirando roupas camufladas e coturnos dos mortos antes de colocá-los em via pública”, disse o coronel.
Contexto do confronto
Durante a operação, criminosos recuaram para a área de mata ao perceberem que o Bope já ocupava pontos estratégicos do alto da comunidade. Houve troca de tiros, lançamento de granadas e ataques com drones.
Suspeitos que se entregaram foram detidos e encaminhados a delegacias.Outros foram mortos nos confrontos.















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