Indígena do Acre conquista título nacional de beleza e celebra vitória como uma “revolução”
Natural de Feijó, Runi Shanenawa, de 22 anos, venceu o Miss Golden Brasil 2026 e quer usar a conquista para valorizar a cultura de seu povo e incentivar outras mulheres indígenas a ocuparem novos espaços.

A modelo indígena Francisca Milany, conhecida como Runi Shanenawa, conquistou o título de Miss Golden Brasil 2026 e levou a cultura do Acre ao topo de um concurso nacional de beleza. Natural de Feijó, no interior do estado, a jovem de 22 anos venceu a competição cuja final aconteceu em São Paulo, no dia 6 de outubro, após reunir candidatas dos 27 estados brasileiros.
Para Runi, a conquista representa muito mais do que uma coroa. É a oportunidade de dar visibilidade ao povo Shanenawa, valorizar suas raízes e mostrar que mulheres indígenas podem ocupar diferentes espaços sem abrir mão da própria identidade.
A modelo contou que ficou surpresa ao ouvir o resultado. Segundo ela, a pouca visibilidade do Acre e o fato de não se identificar com os padrões tradicionais dos concursos de beleza tornaram a vitória ainda mais marcante.
“Até agora, ainda estou sem acreditar que isso aconteceu. O Acre é muito apagado e pouco visto, e isso torna essa conquista ainda mais especial”, afirmou.
Maracá e cultura indígena marcaram a coroação
Durante a coroação, Runi tocou um maracá, instrumento que escolheu para expressar sua gratidão e conexão com suas origens. Ela contou que pensou nos ancestrais e nas pessoas que acredita terem acompanhado e protegido sua trajetória durante a competição.
Ao levar elementos da cultura Shanenawa para o concurso, a jovem encontrou uma maneira de transformar sua participação em uma forma de representação cultural.
“Acredito que me encontrei mesmo no Miss Golden Brasil, porque é um concurso onde posso trazer a minha cultura e as minhas raízes sem medo”, declarou.
Trajetória começou em concursos no Acre
Antes de conquistar o título nacional, Runi já havia participado de outras competições. Em 2024, disputou o Beleza Shanenawa, concurso que valoriza a beleza das mulheres do próprio povo indígena e reúne participantes de diferentes comunidades. Ela também concorreu ao Miss Universo Feijó, no qual ficou em terceiro lugar.
As experiências anteriores ajudaram a modelo a conhecer melhor esse universo e a se preparar para a disputa nacional. Mesmo assim, ela enfrentou dificuldades para conseguir recursos e apoio financeiro para participar do evento.
Runi relatou que teve pouco tempo para se preparar, especialmente para a passarela, e recebeu diversas respostas negativas ao procurar patrocinadores. Apesar dos obstáculos, conseguiu apoio de pessoas e marcas que acreditaram em seu potencial.
A jovem também fez questão de escolher roupas indígenas que representassem sua identidade e sua história.
“Recebi muitos nãos, mas sou eternamente grata a quem me deu um sim, porque essas pessoas não me viraram as costas e enxergaram potencial em mim, até quando eu mesma não acreditava tanto”, relembrou.
Família foi fundamental para a conquista
A modelo destaca que os ensinamentos recebidos da família foram essenciais para que pudesse falar sobre sua cultura e representar o povo Shanenawa diante do público nacional.
Para ela, a escolha dos trajes, o uso do maracá e a valorização de suas origens fizeram parte de uma participação que não separou a carreira de modelo de sua identidade indígena.
Runi acredita que levar a cultura do Acre para uma competição nacional também significa abrir caminhos para outras mulheres que desejam conquistar oportunidades sem esconder quem são.
“Para mim, é uma revolução”, afirma a modelo
Ao definir o significado da vitória, Runi escolheu uma palavra: revolução. A jovem considera o título uma conquista importante para sua trajetória, para o povo Shanenawa e para outras mulheres indígenas que buscam reconhecimento e espaço na sociedade.
“Para mim, é uma revolução. Ser a primeira Miss Acre a conquistar esse título nacional e, além disso, ser a primeira Miss Golden Brasil é algo muito importante, porque agora vou representar o meu povo, os povos indígenas e todas as mulheres”, afirmou.
Durante seu reinado, ela pretende divulgar a cultura indígena, falar sobre suas raízes e incentivar outras mulheres a acreditarem em seus próprios caminhos.
“Quero mostrar ao mundo a minha cultura, a minha essência e as minhas raízes. Quero incentivar outras mulheres, principalmente outras mulheres indígenas, a conquistarem seus espaços na sociedade sem medo de serem quem são”, destacou.
Com a conquista do Miss Golden Brasil 2026, Runi Shanenawa quer transformar a visibilidade alcançada em uma oportunidade para valorizar sua origem e mostrar a riqueza da cultura de seu povo para todo o país.














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