Guerra declarada: Paquistão bombardeia Cabul e Talibã reage com ataque de drones
- comunicacao deolhonoacre
- 27 de fev.
- 2 min de leitura
Escalada militar entre vizinhos islâmicos inclui mísseis, ofensiva na fronteira e troca de acusações sobre mortos e alvos atingidos.

O Paquistão e o Afeganistão trocaram ataques na madrugada desta sexta-feira (27), no horário de Brasília, após o governo paquistanês declarar “guerra aberta” contra o país vizinho. A escalada ocorre depois de meses de tensão na fronteira e do rompimento de um cessar-fogo firmado em outubro.
O Exército paquistanês bombardeou diversas cidades afegãs, incluindo Cabul. Segundo autoridades de Islamabad ouvidas pela agência Reuters, os ataques envolveram mísseis disparados por via aérea contra escritórios e postos militares do Talibã em Cabul, Kandahar e na província de Paktia.
Testemunhas relataram explosões e a presença de caças sobrevoando as áreas atingidas.
Kandahar é considerada o principal reduto do Talibã e abriga o líder espiritual do grupo, Haibatullah Akhundzada.
Ataques retaliatórios
O Talibã afirmou ter conduzido “com sucesso” bombardeios com drones contra instalações militares em Islamabad, além das cidades de Nowshera, Jamrud e Abbottabad, classificando a ação como retaliatória.
O ministro da Informação do Paquistão, Attaullah Tarar, declarou que drones afegãos foram abatidos nas cidades de Nowshera, Abbottabad e Swabi e afirmou que “não houve vítimas”.
O porta-voz militar paquistanês, Ahmed Sharif Chaudhry, informou que 22 alvos militares afegãos foram atingidos desde a noite de quinta-feira e que 274 “autoridades e militantes do regime do Talibã” teriam sido mortos.
O governo afegão não confirmou as mortes. Segundo Chaudhry, ao menos 12 soldados paquistaneses morreram no conflito até o momento.
Fronteira em chamas
Na noite de quinta-feira, forças afegãs lançaram ofensiva na região de fronteira, em resposta, segundo Cabul, a bombardeios anteriores realizados pelo Paquistão. Confrontos com uso de armas e artilharia foram registrados ao longo da madrugada.
O porta-voz do governo afegão, Zabihullah Mujahid, afirmou que “dezenas de soldados paquistaneses morreram” e que postos militares teriam sido tomados. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, negou a versão e declarou que nenhum posto foi capturado.
Islamabad acusa o Talibã de oferecer abrigo a militantes responsáveis por atentados em território paquistanês, o que Cabul nega. O governo paquistanês afirmou que “a operação está em andamento” e declarou estar pronto para “esmagar” o regime talibã.
Mediação internacional
Diante da escalada, o Irã se ofereceu para facilitar o diálogo entre as partes. A China também pediu moderação e defendeu um cessar-fogo imediato para evitar mais confrontos.
O conflito atual marca a primeira vez que o Paquistão atinge diretamente instalações do Talibã desde que o grupo retomou o poder em Cabul. Ainda não há confirmação sobre a dimensão que a ofensiva pode alcançar nos próximos dias.














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