Greve geral à vista: sindicatos da Argentina cruzam os braços contra reforma de Milei
Maior central sindical do país anuncia paralisação de 24 horas assim que projeto trabalhista começar a ser debatido na Câmara.

A tensão política e social voltou a crescer na Argentina. A Confederação Geral do Trabalho (CGT), maior central sindical do país, anunciou a convocação de uma greve geral de 24 horas contra a proposta de reforma trabalhista do presidente Javier Milei.
Segundo a entidade, a paralisação entrará em vigor assim que a Câmara dos Deputados iniciar o debate do projeto, previsto para ocorrer antes do fim de fevereiro. Diferentemente de outras mobilizações, desta vez a greve não deverá incluir atos ou manifestações de rua.
Reforma já avançou no Senado
Na última semana, o Senado aprovou preliminarmente o texto após negociações do governo com parlamentares para modificar pontos da proposta original. A iniciativa é considerada peça-chave da estratégia de Milei para atrair investimentos e estimular a geração de empregos formais em um país onde mais de 40% dos trabalhadores atuam na informalidade.
O governo defende a medida como uma “modernização trabalhista”, argumentando que as mudanças tornarão o mercado mais competitivo e previsível.
O que contestam os sindicatos
A oposição peronista e entidades sindicais afirmam que a reforma enfraquece direitos históricos dos trabalhadores. De acordo com Rodolfo Aguiar, presidente da Associação dos Trabalhadores do Estado (ATE), o projeto limitaria a atuação sindical em disputas trabalhistas e exigiria autorização prévia para determinadas reuniões.
Outro ponto criticado é a possibilidade de exigir que entre 50% e 75% dos serviços considerados essenciais continuem funcionando durante greves — o que, segundo sindicalistas, reduziria drasticamente o poder de pressão das paralisações.
Além disso, o texto prevê que parte das horas extras possa ser compensada com folgas em vez de pagamento adicional.
Risco de escalada
A Argentina tem histórico de greves que impactam diretamente transporte, portos e corredores logísticos estratégicos — setores fundamentais para um dos maiores exportadores de alimentos do mundo.
Cristian Jerónimo, dirigente da CGT, afirmou que a entidade não descarta ampliar o conflito caso o governo não recue.
Com o debate prestes a começar na Câmara, o embate entre o Planalto argentino e os sindicatos promete esquentar ainda mais o cenário político nas próximas semanas.














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