Governo e oposição pressionam Alcolumbre por lista de senadores visitados pelo ‘Careca do INSS’
Presidente do Senado mantém sigilo de 100 anos sobre registros de entrada em gabinetes; CPI busca identificar parlamentares que receberam empresário suspeito de fraudes

A imposição de sigilo aos registros de entrada e saída de gabinetes de senadores se tornou um dos principais focos de tensão na CPI que apura fraudes no INSS. O embate gira em torno das visitas do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, que vai depor nesta segunda-feira (15) ao colegiado.
A princípio, o pedido de acesso aos registros era defendido pela oposição, mas agora também conta com o apoio de governistas. Ambos os lados querem identificar quais senadores receberam Antunes e representantes de entidades apontadas como ligadas a descontos irregulares em aposentadorias e pensões.
Na quinta-feira (11), a CPI aprovou a quebra dos sigilos fiscal, bancário e telefônico do empresário. No dia seguinte, ele foi preso pela Polícia Federal por risco de fuga.
Apesar da pressão, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), reafirmou decisão da gestão de Rodrigo Pacheco (PSD-MG) de decretar sigilo de 100 anos sobre a lista de gabinetes visitados. O argumento utilizado é de que a divulgação violaria a intimidade de parlamentares e a imunidade parlamentar.
Alguns senadores já admitiram encontros com o empresário. Entre eles, Weverton Rocha (PDT-MA), aliado de Alcolumbre. Parlamentares da oposição afirmam que a divulgação poderia expor reuniões de Antunes com integrantes da base governista e com aliados diretos do presidente do Senado.
Governistas, por sua vez, alegam que os registros também poderiam comprovar encontros em gabinetes de senadores de oposição durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), além de parlamentares de partidos de centro que cogitam se afastar da base do atual governo.
O relator da CPI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), não descarta recorrer ao Judiciário caso a situação não seja resolvida internamente. “Essas informações são importantes. Se não tivermos uma solução, poderemos entrar com um mandado de segurança”, disse.
Enquanto isso, o Senado se dispôs a repassar apenas nomes e datas de entrada dos investigados, sem detalhar quais gabinetes foram visitados — solução considerada insuficiente pelos integrantes da comissão.














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