General mais poderoso da China cai em desgraça e abala planos de Xi Jinping sobre Taiwan
Demissão de Zhang Youxia, acusado de traição, expõe crise sem precedentes no alto comando do Exército chinês.

O alto escalão do Exército de Libertação Popular da China atravessa uma de suas maiores crises internas nas últimas décadas. A demissão do general Zhang Youxia, considerado o militar mais poderoso do país depois do presidente Xi Jinping, levantou dúvidas sobre a estabilidade das Forças Armadas chinesas e a real capacidade de Pequim de conduzir uma ofensiva militar contra Taiwan ou se envolver em um conflito de grande escala.
Zhang, de 75 anos, ocupava o cargo de vice-presidente da Comissão Militar Central (CMC), órgão máximo de comando do Exército chinês e diretamente subordinado ao Partido Comunista Chinês. A CMC é responsável por controlar milhões de soldados e definir toda a estratégia militar do país. Além de Zhang, outro oficial de alto escalão, Liu Zhenli, também foi afastado.
Comissão militar reduzida ao mínimo histórico
Com as destituições, a Comissão Militar Central, que tradicionalmente conta com cerca de sete membros, passou a ter apenas dois integrantes: o próprio Xi Jinping e o general Zhang Shengmin. Os demais foram removidos sob a justificativa de uma ampla campanha de combate à corrupção.
Segundo Lyle Morris, do Asia Society Policy Institute, a situação é inédita. “A Comissão Militar Central estar reduzida a apenas dois membros é algo sem precedentes”, afirmou em entrevista à BBC. Para ele, o cenário revela uma grave fragilidade institucional no comando das Forças Armadas.
Crise de liderança e rumores de traição
Especialistas apontam que a queda de Zhang Youxia vai além de um simples expurgo administrativo. Considerado um dos pilares do poder militar chinês e aliado histórico de Xi Jinping, o general agora é alvo de acusações de traição, embora as autoridades chinesas não tenham divulgado detalhes oficiais sobre os motivos exatos da demissão.
“O Exército Popular de Libertação está em desordem”, avaliou Morris. Segundo ele, a remoção sucessiva de líderes militares cria uma grande lacuna de liderança e enfraquece o controle político de Xi sobre as Forças Armadas. “Há muitos rumores circulando. Não sabemos o que é verdade ou mentira neste momento, mas certamente é ruim para Xi Jinping e para sua capacidade de comando”, completou.
Impacto direto nos planos sobre Taiwan
A instabilidade no comando militar ocorre em um momento sensível para a China, que vem intensificando discursos e exercícios militares envolvendo Taiwan, ilha considerada estratégica por Pequim. Analistas avaliam que a crise interna pode reduzir a prontidão operacional do Exército e dificultar qualquer ação militar de grande porte no curto prazo.
O professor associado Chong Ja Ian, da Universidade Nacional de Singapura, afirmou que ainda não é possível determinar as causas reais da queda de Zhang, mas destacou que o episódio evidencia tensões profundas dentro da elite militar chinesa.














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