FORÇA LETAL CONTRA O CRIME: Paraguai autoriza exército a eliminar facções brasileiras e rotula PCC e CV como grupos terroristas
Medida inédita permite o uso de força letal contra integrantes das organizações criminosas; decreto marca nova fase no combate ao crime transnacional
As Forças Armadas do Paraguai receberam autorização oficial para combater e eliminar integrantes das facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), agora classificadas pelo governo paraguaio como organizações terroristas.
A decisão foi sancionada pelo presidente Santiago Peña por meio do Decreto nº 4857, em uma medida inédita que endurece a política de segurança nacional e reforça o enfrentamento direto ao crime organizado transnacional.

OUTROS GRUPOS CRIMINOSOS INFILTRADOS NA REGIÃO: EUA oferecem recompensa milionária por informações sobre atividades financeiras do Hezbollah na Tríplice Fronteira
O governo dos Estados Unidos está oferecendo uma recompensa de até US$ 10 milhões — o equivalente a cerca de R$ 56,5 milhões — por informações que levem à identificação dos mecanismos financeiros utilizados pelo grupo libanês Hezbollah na região de fronteira entre Argentina, Brasil e Paraguai.
Conforme a Embaixada dos EUA no Brasil, o objetivo é obter novos dados sobre operações de contrabando, lavagem de dinheiro e outros esquemas ilícitos ligados à organização, considerada terrorista por Washington.
O programa Rewards for Justice (RFJ), do Departamento de Estado americano, informou que o Hezbollah mantém fontes de financiamento na Tríplice Fronteira por meio de lavagem de dinheiro, tráfico de drogas, falsificação de dólares, comércio ilegal de diamantes e contrabando de grandes quantias em espécie, carvão, cigarros e petróleo.
O DECRETO DE COMBATE AO CRIME ORGANIZADO NO PARAGUAI
Conforme o Ministério da Defesa, o decreto permite o uso de força letal contra criminosos identificados como membros dessas facções, além de prisão imediata e entrega dos capturados à Justiça. O ministro da Defesa, Óscar González, confirmou a medida em entrevista ao jornal Última Hora, destacando que a nova legislação autoriza o exército a atuar em operações internas de contraterrorismo, rompendo com as restrições anteriores que impediam a atuação militar em missões de segurança pública.
“Temos capacidade operacional, inteligência ativa e determinação para neutralizar qualquer ameaça terrorista dentro do nosso território”, afirmou González, ao anunciar o início das ações conjuntas entre o Exército e as forças policiais.
A decisão vem após o aumento da presença e da influência das facções brasileiras como CV e PCC em regiões de fronteira, principalmente em Pedro Juan Caballero e Ciudad del Este, consideradas rotas estratégicas para o tráfico de drogas, armas e lavagem de dinheiro.
Segundo autoridades paraguaias, células do PCC e do Comando Vermelho operam nesses locais há anos, promovendo execuções, recrutamento de criminosos locais e coordenação de atividades ilícitas com ramificações diretas em presídios brasileiros.
O governo também anunciou o reforço na inteligência militar e tecnológica para rastrear rotas de infiltração, identificar colaboradores paraguaios e interromper o fluxo financeiro das facções.
O tema ganhou urgência após a megaoperação policial no Rio de Janeiro, que deixou 121 mortos — incluindo quatro policiais — e mais de 80 presos, com foco no Comando Vermelho, evidenciando a capacidade ofensiva e a estrutura internacional do grupo.

Com a nova diretriz, o Paraguai se torna o primeiro país da América do Sul a reconhecer oficialmente o PCC e o Comando Vermelho como grupos terroristas, abrindo um precedente jurídico e militar que pode inspirar medidas semelhantes em outros países da região.
A decisão de Santiago Peña representa um divisor de águas na política de segurança do continente, ao transformar o combate às facções brasileiras de um problema doméstico em uma questão de segurança hemisférica e soberania nacional.















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