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Fim do New START acende alerta global e reacende temor de corrida nuclear

5 de fev.
2 min de leitura

Tratado entre EUA e Rússia expira, ONU fala em “momento grave”, Kremlin lamenta e Casa Branca sinaliza possível novo acordo.

foto reprodução
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O mundo entrou oficialmente, nesta quinta-feira (5), em uma nova e incerta era nuclear. Com a expiração do tratado New START, último acordo que limitava os arsenais estratégicos de Estados Unidos e Rússia, as duas maiores potências nucleares do planeta deixam de ter restrições formais sobre o número de ogivas prontas para uso e sobre a implantação de mísseis de longo alcance.

O fim do acordo provocou reações imediatas e elevou o tom de preocupação internacional, diante do risco de uma nova corrida armamentista atômica. O tratado, em vigor desde 2011, era considerado peça-chave da segurança global por estabelecer limites claros ao poder destrutivo dos dois países e por permitir mecanismos de monitoramento e transparência mútua.


Rússia lamenta e adota discurso duro

O Kremlin lamentou oficialmente o encerramento do New START. Ao mesmo tempo, autoridades russas endureceram o discurso. O vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitri Medvedev, afirmou na quarta-feira (4) que “o inverno está chegando”, em tom de provocação aos Estados Unidos.


Dias antes, o governo russo já havia declarado estar preparado para um “novo mundo” sem limites para armas nucleares, sinalizando que Moscou não pretende manter, de forma unilateral, qualquer tipo de restrição ao seu arsenal estratégico.


EUA falam em negociações e citam a China

O governo do presidente Donald Trump ainda não divulgou um posicionamento oficial após o vencimento do tratado. No entanto, uma fonte da Casa Branca afirmou à TV Globo que “haverá notícias” sobre o New START, indicando que novas negociações podem estar em curso.


Segundo a mesma fonte, um eventual novo acordo deve envolver também a China, o que ampliaria o alcance do pacto nuclear. A ideia já havia sido defendida publicamente pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que destacou o “arsenal considerável e em rápida expansão” de Pequim como fator central para qualquer novo entendimento internacional.


Em entrevista ao jornal The New York Times, no início de janeiro, Trump havia minimizado o fim do tratado: “Se expirar, expirou”, disse o presidente à época.


ONU e comunidade internacional em alerta

A Organização das Nações Unidas classificou o momento como “grave” e reforçou o alerta para os riscos do enfraquecimento dos mecanismos de controle de armas nucleares. A União Europeia e outros atores globais também expressaram preocupação com a ausência de limites formais entre Washington e Moscou.


A China, por sua vez, já havia demonstrado resistência em integrar tratados desse tipo, mas agora surge como peça central nas discussões sobre um novo equilíbrio nuclear global.

Fim de uma era

O New START era o último grande acordo de controle de armas nucleares ainda em vigor entre EUA e Rússia. Com seu encerramento, desaparece também o principal instrumento de fiscalização mútua dos arsenais estratégicos das duas potências.


Especialistas alertam que, sem regras claras e mecanismos de transparência, o mundo pode assistir a um aumento acelerado na produção e no posicionamento de armas nucleares, elevando o risco de conflitos e erros de cálculo com consequências catastróficas.

O fim do tratado marca não apenas o encerramento de um acordo, mas o colapso de décadas de esforços para conter a escalada nuclear entre as maiores potências do planeta.


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