Execuções em massa de manifestantes no Irã elevam tensão internacional; ONGs estimam até 3 mil mortos: Trump diz que ajuda está a caminho.
O Irã enfrenta uma das mais graves ondas de repressão desde a Revolução Islâmica de 1979. Há 16 dias consecutivos, milhares de pessoas seguem nas ruas em protesto contra o regime dos aiatolás, mesmo após o corte quase total da internet e diante de uma escalada brutal da violência estatal. Organizações de direitos humanos estimam que o número de mortos possa chegar a 3 mil, embora os dados ainda sejam considerados preliminares devido às restrições de comunicação e à dificuldade de verificação independente.

A dimensão da repressão começa a ser revelada por meio de relatos telefônicos internacionais, informações médicas e denúncias de ativistas. Há registros de necrotérios superlotados, execuções sumárias e de agentes da Guarda Revolucionária disparando contra civis em diferentes cidades do país.
Os protestos tiveram início em meio à grave crise econômica, impulsionada pela alta dos preços e pelo desemprego, mas rapidamente passaram a incorporar exigências políticas, incluindo pedidos pela queda do regime islâmico que governa o país há mais de quatro décadas.

A repressão ganhou um novo capítulo com o anúncio da execução por enforcamento de Erfan Soltani, de 26 anos, marcada para esta quarta-feira (14), segundo organizações internacionais de direitos humanos.

O jovem foi preso em casa na semana passada. Familiares afirmam que ele não teve acesso a um advogado e que a sentença teria sido comunicada como definitiva, sem possibilidade de recurso.
O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, já havia declarado que tribunais especializados julgariam os manifestantes, classificados pelo regime como terroristas.
A escalada da violência provocou forte reação da comunidade internacional.
O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos declarou estar horrorizado com a repressão e pediu o fim imediato das mortes de manifestantes pacíficos, classificando como inaceitável o uso do rótulo de terrorismo para justificar execuções e assassinatos.
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump endureceu o discurso contra o governo iraniano. Em publicação nas redes sociais, afirmou que cancelou todas as reuniões com autoridades iranianas e incentivou os protestos, dizendo que “a ajuda está a caminho”. Questionado posteriormente, evitou detalhar o significado da declaração.
Trump também indicou que uma ação militar está entre as opções consideradas, além de novas medidas econômicas. O governo americano anunciou a intenção de impor tarifas adicionais a países que mantenham relações comerciais com o Irã, embora a medida ainda não tenha sido formalizada.
Em resposta, autoridades iranianas acusaram Estados Unidos e Israel de interferência externa e responsabilizaram líderes estrangeiros pela instabilidade no país.
A China, principal compradora do petróleo iraniano, afirmou que não há vencedores em guerras tarifárias. A Rússia condenou o que chamou de “interferência subversiva” e alertou que eventuais ataques militares teriam consequências graves para o Oriente Médio e para a segurança internacional.
Países europeus como Reino Unido, França, Alemanha e Itália convocaram embaixadores iranianos, em um gesto diplomático que sinaliza forte reprovação. Autoridades alemãs chegaram a afirmar que um governo que precisa recorrer à violência extrema para se manter no poder demonstra sinais de esgotamento.
No Brasil, o Ministério das Relações Exteriores divulgou nota lamentando as mortes, afirmando acompanhar a situação com preocupação e defendendo uma saída baseada no diálogo.
Até o momento, o governo iraniano não se pronunciou oficialmente sobre as estimativas de mortos nem sobre o anúncio da execução.















Comentários