Ex-padre acusado de estupro no Acre é absolvido por falta de provas e vítima reage: “A Justiça fechou os olhos”
- Renalice Silva

- 30 de ago. de 2025
- 2 min de leitura
Após quase dois anos de investigação, 2ª Vara da Infância e Juventude inocenta Fábio Amaro; denunciante promete recorrer e critica decisão
Depois de quase dois anos de um processo que chamou atenção em todo o Acre, a Justiça absolveu o ex-padre Fábio Amaro das acusações de estupro. A decisão, tomada pela 2ª Vara da Infância e da Juventude da Comarca de Rio Branco, concluiu que não há provas suficientes para sustentar a denúncia.

O caso veio à tona em 2023, quando um jovem denunciou ter sido abusado por Fábio entre os anos de 2008 e 2009, quando tinha entre 15 e 16 anos. Outra jovem também relatou abusos, mas o ex-padre respondeu criminalmente apenas pelo estupro do rapaz.
Na sentença, o juiz ressaltou que, embora as palavras da vítima tenham valor, é necessário que existam outras evidências para confirmar os relatos. “As informações das testemunhas foram superficiais e não há documentos que comprovem de forma clara a materialidade do crime”, apontou a decisão.
A defesa de Fábio Amaro comemorou a absolvição. Em nota, a advogada Emília Florentino destacou que foram apresentadas declarações e testemunhos que comprovaram a falta de provas, o que levou o juiz a acolher integralmente a tese defensiva.
“Indignado” com a decisão
O denunciante, no entanto, classificou a absolvição como “dolorosa e terrível”. Em entrevista, ele disse que recorrerá da sentença e acusou o sistema de falhar com as vítimas.“Receber essa sentença é muito triste. Achei que minha verdade bastaria, mas a Justiça fechou os olhos. Canonizam o silêncio, institucionalizam o abuso, mas eu sigo vivo. Ferido, mas não calado”, declarou.
Ele reforçou que pretende seguir com o recurso para evitar que outras possíveis vítimas permaneçam em silêncio. “Às vítimas que ainda sofrem, vocês não estão sozinhas. Denunciem, a vergonha não é nossa, é deles”, completou.
Histórico do caso
As denúncias contra Fábio Amaro foram reveladas pela Rede Amazônica em 2023, quando o ex-padre já havia sido indiciado pela Polícia Civil. Na época, o Ministério Público denunciou o religioso por estupro contra menor de 18 anos.
Após a repercussão, a Diocese de Rio Branco confirmou que havia pedido a renúncia do padre quando soube das denúncias, alegando seguir protocolos do Vaticano. Segundo o bispo Dom Joaquín Pertiñez, Fábio chegou a admitir os crimes internamente e foi orientado a deixar o estado.
Atualmente, o ex-padre vive em Pernambuco. A decisão da Justiça ainda cabe recurso.














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