Escola em seringal da Transacreana funciona sem energia elétrica e estudantes enfrentam longas caminhadas
Unidade Francisco Carneiro de Lima integra as 209 escolas acreanas sem acesso à rede elétrica; governo promete energia solar e expansão da conectividade até 2026

A Escola Estadual Francisco Carneiro de Lima, localizada no Seringal São Bernardo, região da Transacreana, em Rio Branco, funciona sem energia elétrica e enfrenta dificuldades de infraestrutura. A realidade é compartilhada por outras 208 escolas no Acre, segundo dados da Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE).
A estudante Rebeca dos Santos, de 14 anos, percorre duas horas diárias a pé para assistir às aulas da oitava série. Seu sonho é tornar-se médica veterinária. “Já vi onça no caminho”, relatou, destacando os riscos enfrentados por quem vive em áreas isoladas.
Apesar da precariedade, a escola dispõe de espaço de sala de aula e merenda escolar, mas a ausência de energia impede o acesso à internet e limita recursos pedagógicos. A unidade é uma das 3,4 mil escolas no país que permanecem sem eletricidade, de acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Planos para enfrentar a exclusãoO governo do Acre informou que a ausência de energia elétrica e conectividade atinge, sobretudo, escolas rurais e indígenas. Atualmente, 32% das unidades de ensino contam com internet, e a meta é alcançar 70% até o fim de 2025. Já a instalação de kits de energia solar off-grid, com manutenção, está prevista para o primeiro semestre de 2026.
De acordo com a SEE, a localização das escolas segue a demanda das comunidades, sendo exigido um número mínimo de alunos para abertura das unidades. Quando há deslocamentos maiores devido à mudança de famílias, surge a necessidade de transporte escolar, que no Acre pode ser fluvial ou terrestre.
Impactos sociais e desafiosDados do Sindicato dos Extrativistas e Assemelhados de Rio Branco (Sinpasa) apontam que a falta de estrutura escolar contribui para o ciclo de exclusão em comunidades da Transacreana. “Aqui tem gerações inteiras analfabetas e jovens casando muito cedo. A educação precisa ser fortalecida”, afirmou o presidente da entidade, Josimar Ferreira do Nascimento.
O governo estadual afirma que busca conciliar direito à educação e preservação ambiental, destacando a complexidade logística da região amazônica, onde trajetos de duas ou três horas até a escola fazem parte da rotina de muitas famílias.
O Sinpasa defende a retomada de programas como o Asas da Florestania, criado em 2006, que levava professores preparados até comunidades isoladas para ministrar aulas. Enquanto novas soluções não chegam, estudantes como Rebeca seguem percorrendo longos caminhos em busca do aprendizado.














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