Duda: do auge da borracha ao legado como seringalista atuante na política acreana
Duarte José do Couto Neto, mais conhecido como “Seu Duda”, marcou seu nome na história do Acre como empresário, pecuarista e um dos maiores seringalistas da época áurea da borracha. Natural de São Paulo, chegou ao estado na década de 1970, em meio à política de integração da Amazônia conhecida como “integrar para não entregar”.

Foi nesse período que construiu seu patrimônio e se consolidou como grande proprietário de terras, administrando áreas que empregavam centenas de seringueiros. Reconhecido por investir no estado todo o patrimônio que herdou, Duda se tornou um entusiasta do desenvolvimento do Acre, sempre defendendo políticas de progresso e buscando contribuir para a economia local.
Apaixonado pela floresta, manteve a preocupação em preservar o meio ambiente e em apoiar comunidades residentes em suas propriedades, além de auxiliar os mais humildes sempre que possível. Seu nome tornou-se referência de empreendedorismo no Acre, tanto no extrativismo quanto na pecuária.
Pensamentos e atuação política
Duda acreditava que o país precisava de reformas estruturais para crescer de forma justa. Defendia a criação de um imposto único, medida que, segundo ele, seria “uma forma de acabar com a corrupção que se alastrava por todo o país”. Essas ideias, apontadas por familiares e amigos, ainda refletem debates atuais sobre simplificação tributária e combate à corrupção.

Em 1998, atendeu a um convite do então presidente nacional do PRONA, Dr. Enéas Carneiro, e se candidatou ao Governo do Acre. Naquele período, o desemprego era constante e o estado enfrentava dificuldades para absorver sua mão de obra. Por isso, suas propostas tinham como prioridade a assistência e o crédito para produtores rurais, o incentivo à agregação de valor à borracha e à castanha e o melhor aproveitamento de terras ociosas.

Seu programa defendia que o Acre precisava reduzir a dependência externa, evitando importações desnecessárias de produtos como milho, arroz, feijão, café e legumes. Também destacava que nenhuma família deveria ficar excluída do processo econômico: havia de se garantir crédito e assistência para que todos tivessem acesso a uma vida mais digna.
Duda era ainda um firme defensor de políticas sociais, mas se posicionava claramente contra as invasões de terras no estado, acreditando que o desenvolvimento deveria acontecer com ordem, legalidade e apoio efetivo ao pequeno produtor.
Família e legado
Nos últimos anos, Duda se dedicava às propriedades da família, transmitindo aos filhos os valores de trabalho, respeito e compromisso com o Acre. O legado que construiu ao longo de décadas hoje é continuado por eles, ao lado da mãe, Dona Graça, natural de Tarauacá. Duda deixou também cinco netos, que herdaram não apenas o patrimônio, mas a história de perseverança e dedicação ao estado.
Em entrevista, o filho Francisco Umberto Prado Couto, o Chiquinho, destacou o impacto do pai em sua vida e no Acre:
“Todo patrimônio que herdou, meu pai investiu no Acre. Foi um entusiasta pelo estado, investindo também aqui toda sua juventude, sempre lutando por uma política justa e pelo progresso. Apaixonado pela floresta, sempre a protegeu e cuidou das comunidades residentes em seus imóveis, ajudando os mais humildes sempre que possível. Perdi meu pai, meu grande escudo, meu melhor amigo. A caminhada sem ele não será fácil, mas acredito que, seguindo seus passos, lá de cima ele nos guiará e ficará orgulhoso”.
O falecimento de “Seu Duda”, aos 71 anos, em São Paulo, encerrou uma trajetória marcada por trabalho, dedicação e contribuição ao desenvolvimento do Acre, deixando um legado que seguirá como referência para as futuras gerações.















Comentários