Desaparecidos ganham voz: Ministério da Justiça lança portal nacional para unificar buscas no Brasil
Nova plataforma reúne dados de todo o país e promete facilitar a localização de milhares de pessoas desaparecidas; mais de 86 mil registros já foram integrados
Em uma iniciativa histórica e há muito aguardada por familiares e organizações da sociedade civil, o Ministério da Justiça lançou nesta quarta-feira (27) o Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas (CNPD) — um portal unificado de busca que promete facilitar o acesso a informações sobre desaparecidos em todo o território nacional.

A plataforma, disponível em https://cnpd.mj.gov.br/painel-publico, já reúne mais de 86 mil registros, integrando automaticamente os dados de 12 estados brasileiros, incluindo o Acre.
“Falar de desaparecidos é falar de uma dívida histórica. Esse sistema é um passo fundamental para que a população tenha respostas, e as famílias, esperança”, afirmou Mário Sarrubbo, secretário nacional de Segurança Pública.
📍Estados já integrados ao CNPD:
Acre
Alagoas
Amazonas
Amapá
Bahia
Maranhão
Piauí
Rio Grande do Norte
Rondônia
Roraima
Sergipe
Tocantins
Com 220 desaparecimentos por dia no primeiro semestre de 2025, o Brasil enfrenta uma verdadeira epidemia silenciosa. Só nos primeiros seis meses do ano, foram mais de 46 mil pessoas desaparecidas.
A proposta do CNPD é romper com a fragmentação entre os estados e tornar mais ágil e transparente a busca por pessoas. O cadastro ainda está em fase de expansão, e outros estados devem ser integrados em breve.
Como funciona?
Dados são atualizados automaticamente por delegacias e órgãos estaduais;
Qualquer cidadão pode consultar registros públicos pelo site;
Cruzamentos de informações devem ajudar na localização de pessoas em situação de risco, vítimas de violência ou tráfico humano.
O lançamento marca um avanço significativo na forma como o Brasil enfrenta um dos seus problemas mais dolorosos: o sumiço de pessoas sem rastros, muitas vezes ignorado pelas estatísticas e pelo poder público.
“É mais do que um sistema. É um instrumento de justiça, dignidade e humanidade para milhares de famílias que vivem o luto sem corpo e a dor sem resposta”, concluiu Sarrubbo.















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