Denúncia agita governo do Acre: Republicanos acusa servidora de trabalhar para família da governadora
Partido levou denúncia ao TCE-AC e afirma que funcionária comissionada teria atuado como motorista dos filhos de Mailza Assis; governo nega irregularidades e diz que imóvel é residência oficial

O Republicanos protocolou uma representação no Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC) contra a governadora Mailza Assis (PP), alegando que uma servidora comissionada teria sido utilizada para realizar atividades particulares em benefício da chefe do Executivo estadual e de seus familiares.
A denúncia foi apresentada na quarta-feira (9) e cita Eryclis Feitosa Sá da Silva, servidora nomeada para um cargo comissionado CAS-4, com jornada de 40 horas semanais.
Segundo o partido, ela teria sido retirada de suas funções públicas para desempenhar tarefas relacionadas à rotina familiar da governadora e de seu marido, Madson Cameli, que ocupa o cargo de chefe do Gabinete Pessoal do Governo.
Um dos principais elementos apresentados pelo Republicanos é um registro do sistema de controle de acesso de um condomínio. De acordo com a representação, Madson Cameli aparece como responsável pelo imóvel, enquanto Eryclis consta no cadastro como prestadora de serviço e é identificada como “motorista das crianças”.
A autorização registrada no sistema teria validade de 10 de abril de 2026 a 11 de abril de 2030.
O documento também reúne registros de entradas e saídas do condomínio entre 16 de junho e 3 de setembro deste ano. Segundo o Republicanos, os horários registrados coincidiriam com o período de expediente da administração pública estadual. O partido afirma ainda que há acessos em diferentes dias da semana, incluindo sábados e alguns domingos.
Com base nesses dados, a legenda sustenta que a servidora poderia estar sendo utilizada para atividades particulares, como transporte dos filhos da governadora e apoio na rotina doméstica da família.
O Republicanos pediu ao TCE-AC que investigue a situação e solicite documentos funcionais, folhas de ponto, registros biométricos, informações sobre as atividades desempenhadas pela servidora e histórico de acesso ao condomínio.
O partido também quer que sejam levantados os valores pagos pelo Estado à servidora e que seja verificada a existência de eventual prejuízo aos cofres públicos.
A representação cita Mailza Assis, Madson Cameli e Eryclis Feitosa entre as pessoas relacionadas aos fatos que devem ser apurados. O Republicanos também solicitou que o caso seja encaminhado à Procuradoria-Geral da República, ao Ministério Público do Acre, ao Ministério Público Eleitoral e ao Tribunal Regional Eleitoral do Acre.
A legenda é presidida no estado por Roberto Duarte Júnior. O senador Alan Rick é o candidato do partido ao governo do Acre nas eleições de 2026.
Governo nega acusação
Em resposta, a Casa Civil do governo do Acre negou qualquer utilização de servidor público para atividades particulares em benefício da governadora ou de seus familiares.
Segundo o governo, o imóvel onde Mailza Assis reside foi oficialmente designado como residência oficial pelo Decreto nº 11.705, de 5 de junho de 2025.
A administração estadual afirma que, por essa razão, o local não deve ser considerado apenas uma residência particular, já que possui uma estrutura oficial que exige serviços permanentes de segurança, logística, transporte e apoio operacional.
O governo também declarou que a função atribuída à servidora no cadastro do condomínio não foi criada, administrada ou validada pelo Estado.
Ainda segundo a Casa Civil, o sistema de controle de acesso é mantido pelo próprio condomínio e não possui validade para definir o cargo ou as atribuições funcionais da servidora.
A administração estadual também classificou como grave a obtenção e divulgação de informações privadas relacionadas à residência oficial, principalmente por envolverem a rotina de segurança e dados sobre menores de idade.
O governo informou que pretende apurar a origem dos registros e a forma como as informações foram obtidas e divulgadas. Caso seja identificada alguma irregularidade, afirmou que os responsáveis poderão responder nas esferas administrativa, civil e criminal.
Por fim, a Casa Civil declarou que a servidora foi designada para atividades de direção e suporte relacionadas ao funcionamento da estrutura da residência oficial, conforme documentos de nomeação, lotação e organização do serviço.
O governo afirmou ainda que está à disposição para prestar esclarecimentos e que confia na apuração dos fatos pelos órgãos competentes.








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