Crise por um título: insistência de Joabe em homenagear secretário trava Câmara, gera bate-boca e expõe rachas internos
A Câmara Municipal de Rio Branco vive, desde a semana passada, um episódio inusitado para o fim do ano legislativo: a insistência do presidente da Casa, vereador Joabe Lira (União Brasil), em conceder o Título de Cidadão Rio-Branquense ao secretário municipal de Agropecuária, Eracides Caetano, tem provocado desgaste, divisões internas, constrangimento público e até bate-boca a portas fechadas entre parlamentares.

O projeto foi rejeitado no plenário no dia 13 de novembro, ao obter apenas 11 votos favoráveis — número insuficiente para alcançar os 14 necessários para aprovação de homenagens honoríficas. Quatro vereadores se posicionaram contra: Fábio Araújo (MDB), Matheus Paiva (União Brasil), Bruno Moraes (PP) e Elzinha Mendonça (PP).
Mesmo assim, Joabe insistiu na matéria. E a Casa mergulhou em uma crise que parece desproporcional ao peso simbólico do título.
Insistência vira crise interna e provoca gritaria nos bastidores
Na manhã desta quarta-feira (19), Joabe tentou ressuscitar o projeto. Suspendeu a sessão, chamou todos os vereadores para a sala de reuniões e buscou, novamente, coletar as 14 assinaturas necessárias para recolocar a proposta em pauta.
O movimento, porém, se transformou em um conflito interno. O clima fechou, e os gritos foram ouvidos do corredor do prédio. A segurança, a mando de alguém, impediu que jornalistas se aproximassem da porta, aumentando ainda mais o tom de suspeita e desconforto sobre a discussão.
Os quatro vereadores que rejeitaram a proposta na semana anterior reafirmaram a posição. Sem consenso, a tentativa novamente fracassou. A situação só não escalou ainda mais porque o vereador Eber Machado (MDB), tido como possível 14º voto, precisou se retirar do prédio para cumprir agenda externa — frustração imediata para Joabe.
Com o desgaste evidente, o presidente decidiu não retomar a sessão e liberou os parlamentares para voltar para casa.
Por que tanta insistência?
A principal pergunta que circula nos corredores da Câmara e entre observadores políticos é simples: por que tanto esforço por um título honorífico?
O ex-presidente da Casa, vereador Raimundo Neném, resumiu o clima desconfortável:“É um projeto do presidente da mesa. Fica chato quando não passa…”
A explicação expõe dois pontos centrais: o peso simbólico da derrota para um presidente de Poder e o possível desgaste político pessoal de Joabe com o próprio Executivo municipal, já que a homenagem é direcionada a um secretário da gestão Bocalom.
Relação política fragilizada
O secretário Eracides Caetano, personagem central da crise, não mantém boa relação com todos os vereadores, o que explica parte da resistência ao título. Apesar de ser elogiado pelo Executivo por sua atuação, sua relação com o Legislativo é marcada por atritos antigos e falta de diálogo — elementos que não ajudam em votações que dependem de maioria qualificada.
O prefeito Tião Bocalom (PL), por sua vez, chamou a rejeição de “tremenda injustiça” e exaltou o trabalho de Eracides na zona rural. O apoio público do prefeito, porém, pouco alterou o humor dos vereadores contrários ao título.
Desgaste político para todos os lados
A sequência de tentativas frustradas, aliada ao bate-boca e ao encerramento inesperado da sessão, expõe um racha político num momento em que a Câmara deveria finalizar o ano com votações pacíficas e agendas administrativas.















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