Complexo do Açaí de Feijó enfrenta desafio para superar gargalo do marreteiro
ABDI e parceiros buscam consolidar cadeia produtiva e fortalecer indústria local da fruta no Acre

O Complexo Industrial do Açaí de Feijó, no Acre, tem o desafio de se firmar como referência no beneficiamento da fruta que é símbolo cultural e econômico da região.
A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) acompanha de perto a cadeia produtiva e busca alternativas para garantir sustentabilidade ambiental e financeira aos extrativistas.
Um dos principais entraves, entretanto, continua sendo a figura do marreteiro, responsável por escoar a produção local para outros estados e indústrias fora de Feijó.
A dinâmica é conhecida: caminhões com câmaras frias estacionam às margens do Rio Jurupari, carregam grandes quantidades de açaí e seguem para Rondônia ou Rio Branco, onde a fruta é processada.
A logística consolidada dos marreteiros responde à alta perecibilidade do fruto, mas enfraquece a industrialização dentro do município.
Para mudar esse cenário, instituições como a AçaíCoop, Sebrae, Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Prefeitura de Feijó e Governo do Acre tentam alinhar estratégias. Entre os avanços, está a conquista da Indicação Geográfica (IG) do açaí de Feijó, selo que certifica a qualidade e a origem do produto.
O desafio agora é transformar esse reconhecimento em fortalecimento da cadeia local.
Segundo especialistas, o êxito do complexo dependerá da criação de uma política integrada, que envolva fiscalização para desestimular o transporte irregular, incentivo à produção cultivada e valorização do trabalho dos extrativistas.
Há expectativa ainda de que o Banco da Amazônia seja incluído como parceiro no financiamento da produção.
A ABDI e a AçaíCoop estruturam projetos que incluem a construção da unidade industrial e a formação de produtores. Para que a indústria não repita erros de outros empreendimentos no estado, será necessário garantir abastecimento constante e políticas de preço que motivem os extrativistas a fornecer diretamente para a planta de beneficiamento.
O futuro do Complexo Industrial do Açaí de Feijó dependerá da capacidade de articulação entre governo, cooperativas e produtores locais. Sem essa integração, a produção corre o risco de continuar sendo escoada para fora, limitando o impacto econômico do projeto no município.














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