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“Chegou sem emprego? Prefeito manda passageiro de volta em Floripa e gera revolta

5 de nov. de 2025
2 min de leitura

O prefeito de Florianópolis, Topázio Neto (PSD), tem causado grande repercussão após anunciar a criação de um posto de triagem na rodoviária da capital catarinense para monitorar a chegada de pessoas vindas de outros estados. A estrutura, segundo a prefeitura, tem o objetivo de identificar indivíduos que desembarquem na cidade sem emprego, moradia ou vínculos familiares. Quem não comprovar condições para permanecer em Florianópolis recebe passagem de retorno ao local de origem.


A medida foi divulgada pelo próprio prefeito em um vídeo postado nas redes sociais no último domingo (2). Nele, Topázio afirma que a iniciativa busca manter “ordem e regras” no município.

“Todos os dias, centenas de pessoas chegam a Florianópolis. Para garantir um controle de quem chega, instalamos um posto avançado da nossa assistência social. Se a pessoa chegou sem emprego e sem local para morar, a gente dá a passagem de volta”, declarou.

O posto é administrado pela Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas). De acordo com a prefeitura, mais de 500 pessoas já receberam passagens para retornar às suas cidades de origem desde o início da operação.

Críticas e acusações de violação de direitos

A iniciativa provocou forte reação nas redes sociais e acendeu debate sobre possíveis violações ao direito constitucional de ir e vir. Críticos classificam a ação como uma forma de exclusão social, já que pessoas em situação de vulnerabilidade seriam as mais afetadas pela triagem.

Para os opositores, a prefeitura estaria realizando uma espécie de “seleção” social na entrada da cidade, impedindo que pessoas pobres tentem buscar novas oportunidades.

“Todo cidadão nascido em território brasileiro tem o direito de ir para onde quiser sem ser incomodado”, afirmou um internauta em publicação que viralizou ao criticar a medida.

Prefeitura defende abordagem social

A administração municipal, porém, sustenta que a triagem não tem caráter repressivo. Segundo Topázio, o posto funciona com equipes de assistentes sociais que oferecem orientação, acolhimento e articulação familiar para pessoas que chegam sem estrutura mínima.


O prefeito afirma ainda que recebeu denúncias de municípios que estariam enviando pessoas vulneráveis para Florianópolis sem suporte, o que ele classificou como prática “irresponsável”.

Intensificação no verão

Topázio anunciou que a fiscalização será reforçada durante o verão, período em que a cidade registra aumento no fluxo de turistas e migrantes em busca de trabalho temporário.

A ação reacende o debate nacional sobre políticas migratórias internas, desigualdade social e o papel de prefeituras no acolhimento de pessoas em situação de vulnerabilidade.


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