“Caso ela diga não”: trend polêmica viraliza e vira alvo de investigação da Polícia Federal
A Polícia Federal (PF) abriu um inquérito para investigar a trend que viralizou nas redes sociais com a frase “treinando caso ela diga não”. Os vídeos, que simulam reações violentas de homens após uma rejeição em pedidos de namoro ou casamento, têm gerado forte repercussão e levantado debates sobre apologia à violência contra mulheres.

A ação é conduzida pela Diretoria de Crimes Cibernéticos da PF, que já iniciou a derrubada de perfis responsáveis pela publicação do conteúdo. A ofensiva foi confirmada nesta segunda-feira (9) e busca desarticular a disseminação de vídeos que incentivam comportamentos agressivos.
Nas gravações, jovens encenam situações de abordagem romântica e, após a possibilidade de uma resposta negativa, simulam reações violentas, como socos em objetos, golpes de luta e até ataques com faca. O conteúdo se espalhou principalmente no TikTok e acumulou milhares de curtidas e compartilhamentos.

O caso também chegou ao Congresso Nacional. A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados deve votar nesta terça-feira (10) um requerimento para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) investigue os responsáveis pela trend. O pedido foi apresentado pelo deputado Pedro Campos (PSB-PE), que classifica o conteúdo como possível apologia ao crime.
Segundo o parlamentar, o fenômeno reflete uma reação ao avanço das mulheres em espaços de poder e evidencia a permanência de discursos machistas nas redes.
Além da responsabilização individual dos criadores de conteúdo, o deputado defende que as investigações também analisem o papel das plataformas digitais na circulação desses vídeos e as medidas adotadas para impedir a disseminação de conteúdos que incentivem violência.

Estudos acadêmicos também alertam para os impactos desse tipo de conteúdo. Uma pesquisa publicada em 2023 analisou como memes e vídeos que tratam de violência sexual de forma humorística podem contribuir para a normalização da chamada “cultura do estupro”, reforçando estereótipos e banalizando a violência contra mulheres.
A repercussão da trend ocorre em um contexto de alta nos crimes contra mulheres no país. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública apontam que o Brasil registrou 1.470 feminicídios em 2025, o maior número já contabilizado.
Procurado, o TikTok informou, por meio de nota, que o conteúdo viola as Diretrizes da Comunidade da plataforma e que os vídeos foram removidos assim que identificados.















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