BC mantém Selic em 15% pela terceira vez consecutiva e reforça cautela diante de incertezas econômicas
Decisão unânime do Copom interrompe sequência de sete altas e mantém juros no maior nível desde 2006; Banco Central diz que estratégia é garantir convergência da inflação à meta

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (5), manter a taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano. A decisão, tomada de forma unânime pelos membros do colegiado, era amplamente esperada pelo mercado financeiro.
Esta é a terceira reunião seguida em que a taxa permanece inalterada, após sete aumentos consecutivos que levaram os juros ao maior patamar em quase duas décadas.
Segundo o comunicado divulgado pelo BC, a decisão é “compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante”.
O órgão acrescentou que a política de juros elevados também busca suavizar as flutuações da atividade econômica e promover o pleno emprego, sem comprometer o objetivo central de estabilidade de preços.
O texto ressalta que o cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige prudência na condução da política monetária.
O Copom afirmou ainda que a estratégia de manter a taxa em nível contracionista por um período prolongado é suficiente, neste momento, para garantir a convergência da inflação à meta de 3% ao ano.
“O Comitê enfatiza que seguirá vigilante, podendo ajustar os passos futuros da política monetária e retomar o ciclo de alta caso julgue apropriado”, destacou o comunicado.
Pressão política e cautela no BC
Apesar do tom firme do Copom, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reconheceu que a autoridade monetária “não está satisfeita” com a manutenção da taxa em patamar elevado. Ele reafirmou, contudo, o compromisso de levar a inflação para o centro da meta, em meio às cobranças do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de sua equipe econômica pelo início de um ciclo de cortes de juros.
A política monetária restritiva teve início em setembro de 2024, quando o comitê interrompeu o ciclo de reduções e voltou a elevar a Selic, que passou de 10,5% para 10,75% ao ano. Desde então, o BC tem mantido uma postura firme diante das expectativas desancoradas de inflação.
Entenda o impacto da taxa Selic
A Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. Quando os juros sobem, o crédito encarece, o consumo diminui e a economia tende a desacelerar, o que reduz a pressão sobre os preços.
Projeções mais recentes indicam que o mercado não espera uma queda expressiva dos juros no curto prazo. Segundo o Relatório Focus, divulgado semanalmente pelo BC, analistas estimam que a Selic encerre 2025 ainda em 15% ao ano, sem perspectiva de novos aumentos, mas também sem espaço para cortes significativos.
A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 9 e 10 de dezembro, quando o comitê voltará a avaliar o cenário inflacionário e o comportamento da economia brasileira.














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