BAIRROS SEM ÁGUA E POVO REFÉM DA INCOMPETÊNCIA: Rio Branco segue sem água mesmo após R$ 17 milhões destinados pelo governo federal para o abastecimento
Moradores enfrentam torneiras secas; recursos federais não impediram interrupções e MP-AC investiga a situação
Rio Branco (AC) — A crise de abastecimento de água em Rio Branco continua afetando milhares de moradores, mesmo após o anúncio de R$ 17 milhões em investimentos do governo federal para reforçar a infraestrutura hídrica da cidade. Bairros inteiros continuam enfrentando períodos prolongados sem água, baixa pressão e dependência de caminhões-pipa.

Parte do investimento destinada à compra de equipamentos
Do total anunciado, R$ 9,5 milhões foram liberados para a compra de bombas centrífugas e recuperação de estruturas essenciais do Sistema de Água e Esgoto de Rio Branco (Saerb). O restante do recurso é destinado à implantação de um novo sistema de captação na Estação de Tratamento de Água (ETA) II, visando ampliar a capacidade de abastecimento da capital, que, na prática, Bocalom não cumpriu, pois a cidade continua desabastecida.
Produção das ETAs caiu 20%, afirma Saerb
Segundo o Saerb, a produção nas estações de tratamento caiu cerca de 20% para garantir a qualidade da água, devido à estiagem prolongada que reduziu a vazão dos mananciais e aumentou a turbidez da água bruta.
Sem água nem para lavar a Louça
Regiões como Calafate, Floresta, Sobral, Conquista, Cidade do Povo, Tancredo Neves, Boa União e Distrito Industrial continuam com fornecimento limitado ou ausente em determinados períodos. Na zona rural, poços rasos secam e famílias dependem cada vez mais de caminhões-pipa.
MP-AC investiga a interrupção do abastecimento
Em setembro, o Ministério Público do Acre (MP-AC) instaurou um procedimento administrativo para investigar o abastecimento de água na capital. O objetivo é apurar a qualidade do serviço e cobrar explicações da prefeitura sobre as falhas recorrentes.
Na ocasião, o Saerb informou que a principal bomba da ETA II apresentou falha, reduzindo o fornecimento nas regionais do Calafate, Floresta e Distrito Industrial.
A população mantém operações com caminhões-pipa e tanques comunitários nas áreas mais afetadas, mas moradores afirmam que o volume distribuído ainda não atende totalmente à demanda. Segundo a prefeitura, as obras financiadas com recursos federais seguem em execução e ainda não geraram impacto perceptível no fornecimento.
A combinação de estiagem prolongada, falhas estruturais e queda de produção nas ETAs mantém o abastecimento em situação crítica. Até o momento, não há previsão oficial de normalização completa do serviço em todos os bairros de Rio Branco.















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