"Ausência de consentimento em qualquer momento torna o ato criminoso." : Secretária Márdhia El Shawwa e Semulher repudiam falas de treinador.
A Secretaria de Estado da Mulher (Semulher) divulgou, nesta terça-feira (17), nota pública assinada pela secretária Márdhia El-Shawwa, manifestando repúdio às declarações do treinador do Vasco da Gama-AC, Eric Rodrigues, sobre as denúncias de estupro envolvendo jogadores do clube, em Rio Branco.

O posicionamento ocorre após a repercussão do caso que investiga quatro atletas da equipe: Erick Luiz Serpa Santos Oliveira, Matheus Silva, Brian Peixoto Henrique Iliziario e Alex Pires Júnior. O primeiro teve a prisão em flagrante convertida em preventiva, enquanto os demais tiveram prisão temporária decretada e ainda não haviam se apresentado à polícia até a última atualização.
Na nota, a Semulher afirma que as declarações do treinador desqualificam o trabalho técnico, ético e legal da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), ao insinuar suposta parcialidade na condução das investigações.
“Colocar em dúvida a seriedade de profissionais da segurança pública é um desserviço à Justiça, enfraquece a confiança nas instituições e contribui para a perpetuação da impunidade em crimes de violência contra a mulher”, destaca trecho do documento.
A Secretaria também classificou como misóginas e discriminatórias as falas que atribuem às mulheres responsabilidade por condutas praticadas por atletas adultos. Para a pasta, esse tipo de discurso configura culpabilização da vítima e reforça estruturas que silenciam mulheres e dificultam a busca por justiça.

Márdhia El-Shawwa ressaltou ainda que é inaceitável qualquer tentativa de minimizar a gravidade do crime de estupro. Segundo a secretária, consentimento não é permanente nem automático, e a ausência de consentimento em qualquer momento torna o ato criminoso.
“Sexo sem consentimento é estupro”, reforça a nota, que também menciona que relatos de agressões físicas, como tapas e puxões de cabelo, podem agravar ainda mais a situação.
A Semulher informou que acompanha as vítimas e reafirmou que nenhuma forma de violência contra a mulher — seja física, sexual, psicológica ou institucional — será tolerada pelo Governo do Estado.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil, por meio da Deam. O Vasco-AC informou, em nota, que adotou medidas administrativas internas e que colabora com as autoridades, reiterando que não compactua com qualquer forma de violência.















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