Atraso na Intubação e Falhas no Atendimento podem ter Resultdo em Morte de Bebê de 11 Meses no Pronto-Socorro de Rio Branco
Atualizado: 11 de fev. de 2025
Um bebê de apenas 11 meses, identificado como Nicolas Iglessia da Silva, morreu na noite desta quarta-feira, 15, no Pronto-Socorro de Rio Branco, após sofrer queimaduras de 2º grau e enfrentar uma série de falhas no atendimento médico.
A criança estava internada no Hospital Ari Rodrigues, em Senador Guiomard, e foi transferida para Rio Branco em estado grave, mas infelizmente não resistiu devido ao agravamento de seu quadro clínico e à demora nos Procedimentos.

De acordo com familiares, o acidente ocorreu na casa da mãe de Nicolas, na Vila Caquetá, município de Porto Acre. Enquanto preparava brigadeiro, ela colocou a panela quente sobre a mesa, e o bebê acabou derrubando o conteúdo sobre o rosto, sofrendo queimaduras graves.
A mãe levou a criança em um carro particular ao Hospital Ari Rodrigues às 15h30. No entanto, durante o início da noite, o quadro clínico de Nicolas se agravou, exigindo intubação imediata. O médico plantonista do Hospital Ari Rodrigues afirmou não saber realizar o procedimento e solicitou a transferência para o Pronto-Socorro de Rio Branco.
A regulação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) autorizou a transferência apenas com uma ambulância de suporte básico, sem interceptação ou envio de ambulância de suporte avançado, crucial para casos de alta gravidade como o de Nicolas.
A criança chegou ao Pronto-Socorro às 21h10 em estado crítico, apresentando queimaduras de 2º grau no rosto, edema periorbital e de lábios, além de lesões bolhosas. Segundo a médica plantonista Drª Ozélia Paula Leitão Galvão, Nicolas também desenvolveu edema de glote, que comprometeu gravemente sua respiração.
Diante da situação, a médica Ozélia Paula pediu apoio da plantonista do SAMU, Drª Nádia, que é pediatra. Ao acionar os demais socorristas do SAMU para se deslocarem ao Pronto-Socorro para ajudar no atendimento de Nicolas, o enfermeiro plantonista se negou a ir ao hospital, alegando que a ocorrência não havia sido gerada no tablet do SAMU. Em outras palavras, não teria sido gerada pela regulação do SAMU, uma vez que o médico, o enfermeiro e o condutor só podem se deslocar para as ocorrências juntos.
Em meio à discussão no SAMU, e vendo que a prioridade à vida está acima de qualquer protocolo, a médica Nádia pegou seu veículo particular e se deslocou até o Pronto-Socorro, deixando para trás toda sua equipe plantonista 02 do SAMU. A criança foi intubada pelas médicas, no entanto, após alguns minutos, Nicolas sofreu uma parada cardiorrespiratória e morreu no Pronto-Socorro.

Funcionários do Pronto-Socorro afirmaram que a intubação deveria ter sido realizada no Hospital Ari Rodrigues, mas o médico responsável reconheceu não possuir treinamento para o procedimento.
A reportagem tentou contato com a médica do SAMU, mas, abalada, ela preferiu não comentar o ocorrido.
Familiares registraram um boletim de ocorrência e o caso será investigado pela Polícia Civil.
O espaço fica aberto à Secretaria Estadual de Saúde para se manifestar, por meio de nota oficial, sobre o ocorrido no Hospital Ari Rodrigues, em Senador Guiomard, no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e no Pronto-Socorro, em Rio Branco.















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