Após escândalo bilionário, governo corre para criar canal de ressarcimento a aposentados
- Renalice Silva

- 4 de mai. de 2025
- 2 min de leitura
Após demissão de Carlos Lupi, Planalto corre para conter danos políticos e promete devolução direta aos lesados por sindicatos e entidades de fachada

Diante da pressão pública e do desgaste político causado pelo escândalo do INSS, o governo federal vai lançar um canal exclusivo para que aposentados e pensionistas vítimas de descontos indevidos possam solicitar o ressarcimento de forma direta, sem a interferência de sindicatos ou intermediários.
A proposta está sendo elaborada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), com apoio da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Dataprev. A ideia é devolver os valores subtraídos de forma célere, e depois processar as entidades responsáveis pelo desvio, estimado em até R$ 6,3 bilhões, conforme revelou a Operação Sem Desconto, da Polícia Federal e da CGU.
O escândalo já provocou mudanças no alto escalão: o então ministro da Previdência, Carlos Lupi (PDT), pediu demissão na última sexta-feira (2), alegando não estar envolvido nas investigações. Em seu lugar, o governo nomeou o ex-deputado Wolney Queiroz (PDT-PE), que agora tenta conter a crise institucional e restaurar a credibilidade da pasta.
Durante reunião neste domingo (4), Queiroz esteve com o presidente do INSS, Gilberto Waller, e com o ministro da AGU, Jorge Messias, para alinhar os próximos passos. Entre as medidas, estão a abertura de Procedimentos Administrativos de Responsabilização contra as entidades investigadas e ações preparatórias por improbidade administrativa.
O esquema investigado operou entre 2019 e 2024, com o uso de associações e sindicatos que aplicaram descontos ilegais em contracheques de aposentados e pensionistas, muitas vezes com falsificação de assinaturas e sem qualquer autorização dos beneficiários.
A operação resultou no afastamento de cinco servidores do INSS e de um policial federal. Agora, o governo busca não apenas devolver o que foi tirado, mas também estancar a crise política que ameaça atingir o coração da narrativa social do governo Lula.








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