Alta turbidez do Rio Acre provoca crise no abastecimento de água em Rio Branco
Moradores relatam mais de nove dias sem fornecimento regular; Saerb reduz vazão para manter qualidade da água

Rio Branco enfrenta uma nova crise no abastecimento de água devido à alta turbidez do Rio Acre, que tem dificultado o tratamento realizado nas estações da cidade. Moradores de diversos bairros relatam que estão há mais de nove dias sem fornecimento regular, especialmente nas regiões atendidas pela Estação de Tratamento de Água (ETA) 2, localizada no bairro Sobral.
De acordo com o diretor-presidente do Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco (Saerb), Enoque Pereira, o sistema de tratamento não foi projetado para lidar com níveis tão altos de impureza na água.
“Quando dá uma turbidez dessas, normalmente dura três dias, no máximo. Mas já estamos há nove dias sem normalizar. Desde o dia 10, a turbidez está acima de 1.000 e chegou a ultrapassar 2.000. A ETA não foi projetada para tratar lama, e sim água”, explicou.
Com a qualidade comprometida, as ETAs reduziram a vazão de 1.600 litros por segundo para evitar o envio de água imprópria às residências. “Se mantivermos a produção total, a água chegaria suja nas casas. Então, preferimos diminuir a vazão e preservar a qualidade”, afirmou Enoque.

Segundo ele, o desperdício também agrava o cenário. “Rio Branco desperdiça quase 50% da água produzida. Se cada um fizesse um uso mais consciente, economizaríamos 300 litros por segundo, o suficiente para atender toda a população”, destacou.
O Saerb acredita que o abastecimento começará a se normalizar com a estabilização do tempo e a diminuição da turbidez. “Isso depende da natureza. Às vezes, em três dias se resolve, mas agora já estamos em nove”, disse o diretor.
O Tenente-Coronel Cláudio Falcão, coordenador da Defesa Civil Municipal, relacionou o problema ao desmatamento das margens do rio. “O desmatamento das matas ciliares faz com que os sedimentos das laterais desçam para o leito do rio, deixando a água mais barrenta e dificultando o tratamento”, explicou.

Enquanto isso, moradores continuam enfrentando longos períodos sem água nas torneiras, com o fornecimento alternando entre reduções no horário de abastecimento e atrasos na retomada nas áreas mais afetadas.














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