A verdade por trás dos apps: motoristas trabalham muito e ganham pouco.
Autor aponta exploração e ganhos baixos como realidade de quem atua em plataformas digitais
Uma promessa de autonomia profissional e ganhos maiores tem se mostrado o oposto para trabalhadores acionados por tecnologia, como motoristas de aplicativo e entregadores. É o que afirma o jornalista e cientista político Leonardo Sakamoto, que avalia que essas categorias foram iludidas com o discurso de que seriam empreendedores e patrões de si mesmos.

A análise está no livro “O que os coaches não te contam sobre o futuro do trabalho”, escrito em parceria com o jornalista Carlos Juliano Barros. A obra, publicada pela Editora Alameda, foi lançada recentemente em São Paulo e Brasília e apresentada nesta terça-feira (25) na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Uma sessão de autógrafos está prevista para o dia 8 de dezembro, no Rio de Janeiro.
Exploração e falta de direitos
Segundo Sakamoto, as plataformas digitais ficam com grande parte dos valores das corridas e entregas, enquanto os trabalhadores recebem quantias insuficientes diante das longas jornadas de trabalho. Ele ressalta que esses profissionais não contam com direitos trabalhistas, nem com recolhimento para a previdência social.
O pesquisador afirma que, apesar disso, muitos têm direcionado críticas à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), como se a legislação fosse responsável pelo cenário atual.
“A culpa do salário baixo é do patrão. A culpa de trabalhar muito, na escala de seis para um, é do Congresso Nacional”, disse.
Precarização em diferentes áreas
A obra traz análises sobre a precarização no ambiente de trabalho no Brasil, com práticas como a pejotização, na qual trabalhadores são contratados como empresas, e o modelo de “frila fixo”, que desempenha funções de empregado sem vínculo formal e sem garantias legais.
Sakamoto destaca ainda que formas arcaicas de exploração, como o trabalho análogo à escravidão e o uso de mão de obra infantil, persistem mesmo em atividades que utilizam alta tecnologia.
“A gente ainda não foi capaz de erradicar a escravidão contemporânea no Brasil”, afirmou.
Papel da tecnologia
De acordo com o autor, a tecnologia pode ampliar a precarização ou servir como instrumento de mobilização. No caso dos motoristas de aplicativo, ele aponta que as reivindicações atuais incluem preço mínimo das corridas e condições de trabalho definidas com participação das categorias.
As articulações, segundo Sakamoto, têm acontecido principalmente pelas redes sociais, após o enfraquecimento dos sindicatos com a reforma trabalhista de 2017.
Disputa por direitos
O pesquisador observa um ambiente de disputa entre avanços legais e resistências dentro do setor produtivo e de esferas do poder público. Como exemplo, cita a reação à PEC das Domésticas, que garantiu novos direitos a uma categoria composta majoritariamente por mulheres negras.
Sakamoto avalia que o momento é decisivo para discutir o futuro das relações trabalhistas no país e formas de garantir dignidade no trabalho diante das novas tecnologias.














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