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A Habituação e Seu Impacto no Cotidiano: Entrevista com a Neurocientista Tali

19 de mai. de 2024
2 min de leitura

Todos os dias, milhões de pessoas em todo o mundo se acostumam a uma série de estímulos que, com o tempo, tornam-se praticamente invisíveis. Desde o barulho dos trilhos de trem nas proximidades até o cheiro de café moído em uma cafeteria, o fenômeno conhecido como habituação é uma constante em nossas vidas.


Tali Sharot é professora de neurociência cognitiva da University College London
Tali Sharot é professora de neurociência cognitiva da University College London

Tali Sharot, professora de neurociência cognitiva da University College London, explicou à BBC News Mundo como essa tendência evolutiva nos ajuda a conservar recursos e a focar no que realmente importa.


"Há uma razão evolutiva adaptativa para isso", afirma Sharot. "Responder a algo novo faz sentido inicialmente, mas quando percebemos que está tudo bem, não precisamos mais gastar tanta energia reagindo a esses estímulos."

A Dupla Face da Habituação

Por um lado, a habituação nos ajuda a seguir em frente, como ilustra Sharot ao falar sobre o ambiente de trabalho.


"Pense no seu primeiro emprego. Você estava animado no início, mas se ainda estivesse tão animado 10 anos depois, não estaria tão motivado a buscar algo novo."

No entanto, a habituação também pode ser prejudicial, pois nos torna insensíveis a situações tóxicas ou prazerosas, reduzindo a intensidade das emoções que costumavam provocar.


Enganando o Cérebro

Sharot sugere que uma maneira de superar essa tendência é fazer pausas e se distanciar das situações habituais.


"Se afastar de uma situação, mesmo que por um curto período, ajuda a reavaliar e perceber melhor as coisas ao redor", explica.

Ela exemplifica essa ideia com nossa relação com as redes sociais.


"Fazer uma pausa nas redes sociais por um mês pode reduzir o estresse e aumentar a felicidade."

O Valor das Férias Curtas

Outro ponto interessante abordado por Sharot é a eficácia das férias curtas em comparação com as prolongadas. Segundo suas pesquisas, o momento mais feliz das férias geralmente ocorre nas primeiras 43 horas, depois de desfazer as malas e se instalar. Após esse período, a felicidade tende a diminuir.


Por isso, pequenas pausas frequentes podem ser mais benéficas do que longos períodos de descanso.


"O dia anterior à viagem é o mais feliz, pois estamos imaginando como serão as férias", destaca Sharot.

Conclusão

A habituação é um mecanismo natural e útil, mas devemos aprender a contorná-la para apreciar melhor as experiências e tomar decisões mais conscientes. A chave, segundo Tali Sharot, está em distanciar-se e quebrar a rotina para permitir que o novo e o diferente voltem a nos impactar positivamente.


BBC News

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