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A ESQUERDA E AS MENTIRAS CONTADAS: Captura de Maduro escancara hipocrisia da esquerda e o jogo duro dos EUA na Venezuela

6 de jan.
3 min de leitura

A captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro expôs, de forma incontornável, duas realidades paralelas: de um lado, o cinismo de setores da esquerda latino-americana, especialmente do PT, que agora bradam contra uma suposta violação do direito internacional; de outro, o pragmatismo brutal da geopolítica dos Estados Unidos, para quem a democracia venezuelana parece ocupar lugar secundário diante de interesses estratégicos e econômicos.


A captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro expôs, de forma incontornável, duas realidades paralelas
A captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro expôs, de forma incontornável, duas realidades paralelas

Durante mais de 20 anos, Lula, o PT e seus aliados fecharam os olhos para um regime acusado de repressão, assassinatos, perseguição política e colapso institucional. Sem qualquer pudor, apoiaram uma ditadura que levou quase 8 milhões de venezuelanos a abandonar o próprio país, produzindo uma das maiores crises humanitárias da história recente do continente. Agora, os mesmos atores se dizem indignados em nome da legalidade internacional — uma indignação seletiva, tardia e profundamente contraditória.


População refém de um sistema socialista da Venezuela levou a um agravo com mais de 8 milhões de venezuelanos tendo de fugir do regime ditador de Nicolas maduro
População refém de um sistema socialista da Venezuela levou a um agravo com mais de 8 milhões de venezuelanos tendo de fugir do regime ditador de Nicolas maduro
A soberania nacional e a autodeterminação dos povos, princípios consagrados na Carta da ONU, deixaram de existir na Venezuela há muito tempo.
População Venezuelana em busca de alimentos nos Lixões
População Venezuelana em busca de alimentos nos Lixões

O país tornou-se refém de uma organização criminosa de poder que se sustenta por meio da fraude eleitoral, da repressão armada e do apoio direto de regimes estrangeiros, como Cuba, Rússia e Irã, além de conexões com o narcotráfico internacional. Trata-se de uma soberania corroída por dentro, mantida apenas como retórica para legitimar a opressão.


A farsa democrática ficou ainda mais evidente na eleição presidencial de 2024, amplamente denunciada como fraudulenta. Mesmo com a vitória da oposição nas urnas, o regime impediu a alternância de poder, enterrando qualquer aparência de autodeterminação popular. Nesse contexto, falar em violação do direito internacional apenas a partir da captura de Maduro é ignorar décadas de crimes cometidos pelo próprio regime contra seu povo.


Antes de ser levado a tribunal sob acusações de narcoterrorismo e ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos, Maduro e seus asseclas já haviam violado, de forma sistemática, praticamente todos os princípios que sustentam a civilização democrática. O direito internacional, vale lembrar, não pode servir de abrigo para tiranos nem de escudo para regimes criminosos.

O que torna o episódio ainda mais revelador é o discurso ambíguo de Donald Trump e de seu secretário de Estado, Marco Rubio. Apesar do simbolismo da captura, as declarações indicam disposição para negociar com a cúpula remanescente do regime bolivariano, especialmente com Delcy Rodríguez, figura central do poder chavista. O recado é claro: não haverá nova intervenção militar se o regime facilitar o retorno de empresas americanas ao setor petrolífero venezuelano.


Em jogo estão indenizações bilionárias, acesso às maiores reservas de petróleo do mundo e até parcerias estratégicas para reconstrução da infraestrutura do país. Em troca, Washington exige alinhamento político e o afastamento da Venezuela de China, Rússia, Irã e Cuba. A democracia, nesse arranjo, aparece como detalhe incômodo — não como prioridade.


O impacto desse realinhamento vai além da Venezuela. Sem o petróleo praticamente doado por Caracas, o regime cubano corre o risco de colapso definitivo. Mais do que derrotar o chavismo, Trump busca enviar um recado direto à China: os Estados Unidos não abrirão mão da América Latina, região-chave na disputa pela hegemonia global.


Ao atualizar a Doutrina Monroe e assumir sem disfarces uma postura neocolonial, Washington reforça seu domínio estratégico, mas paga um preço alto. Ao relegar a redemocratização venezuelana a segundo plano, trai a oposição liderada por María Corina Machado e enfraquece o principal ativo histórico do poder americano: a defesa da liberdade como valor universal.


Desde a Segunda Guerra Mundial, a liberdade — política, econômica e democrática — foi o motor do soft power dos Estados Unidos e o que os diferenciava dos regimes totalitários. Abrir mão desse discurso em nome do pragmatismo imediato pode garantir vitórias táticas, mas ameaça corroer a base moral que sustentou a influência americana por décadas.


No fim, a hipocrisia da esquerda que sempre relativizou tiranias “amigas” e expõe um ocidente disposto a negociar princípios em troca de interesses, poder e influência. A democracia venezuelana segue como moeda de troca, assim como no Brasil? Em um jogo que pouco tem de idealista — e muito de implacável.



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